Raízes do Brasil por Sérgio Buarque de Holanda

O livro Raízes do Brasil de Sergio Buarque de Holanda é uma obra que retrata e tenta explicar o Brasil, assim tornando-se referência para sua constituição política e cultural, digamos que seja uma espécie de conceituar a nação brasileira.

A obra trata ainda das situações econômica e social do país. O autor explica a brasilidade com base na miscigenação e no homem cultural brasileiro, retratando a esperança no futuro e desenvolvimento do Brasil Raízes do Brasil focaliza questões sociais, econômicas e culturais, lembrando que a beleza da miscigenação e das relações intimas entre a mistura de etnias esconde os horrores da escravidão.

Ao contrario do imaginamos, nossa história não aconteceu por acaso. Os portugueses vieram explorar o Brasil, almejavam riquezas econômicas e não cultural na interação com os índios. O mesmo ou mais trágico ainda se dá com os negros, trazidos da África nos porões imundos dos navios negreiros.

Holanda aborda o tipo social que deu origem à etnia brasileira com reflexões sobre os indivíduos, sobre a política, sobre o Estado, as relações de gênero e os patriarcas que constituíram o Brasil. Mas, tudo isso com foco no futuro do país.

O livro é dividido em duas partes: a primeira trata do Brasil colônia, comparando a colonização portuguesa com a espanhola. Essa primeira etapa expõe o colonizador português como raiz. Segundo Holanda, o conceito de “homem social”surge do encontro do negro, do índio e o branco português. A segunda parte do livro é uma quase critica à sociedade política das décadas de 30 e 40 e ao Estado Novo.

Trata do fim do trabalho escravo e do inicio da mão-de-obra assalariada com a chegada dos imigrantes que também contribuíram para diversificar o tipo étnico e cultural do Brasil. No livro é descrito ainda o governo, as relações do Estado com a política, à questão da propriedade e a cultura patriarcal.

Ao fazer uma análise das nossas raízes, o autor identifica a importância que a colonização portuguesa teve para a formação de nossa cultura. É evidentes que tais influências não foram as únicas, cabendo Ao índio e ao negro papel importantíssimo.

A formação de nosso povo foi uma mistura dessas três raças. Só que os portugueses tinham características próprias, que foram responsáveis pela formação cultural e, principalmente, política no Brasil. A intenção do autor no início da obra Raízes do Brasil, é descrever as características dos povos ibéricos, portugueses e espanhóis, destacando as peculiaridades de cada um.

Os portugueses conseguiram adaptar-se com muita facilidade nestas terras tropicais e formar uma nação com uma extensão territorial ampla, por outro, é devida a estas mesmas raízes, caracterizadas pelos valores personalistas e cordiais, a responsabilidade pelo nosso atraso econômico em relação às outras nações, e pelo nosso entrave democrático.


No livro, Holanda procura mostrar como se deu o processo de colonização nas Américas e principalmente no Brasil, ele ressalta várias características dos povos ibéricos, portugueses e espanhóis que os diferem dos outros povos europeus, como:

A cultura da personalidade; a importância particular que atribuem ao valor dos homens em relação aos semelhantes, no tempo e no espaço; a frouxidão da estrutura social; a frouxidão das instituições; a falta de hierarquia organizada; entre os ibéricos, os elementos anárquicos sempre frutificam mais facilmente; a cumplicidade ou a lassidão displicente das instituições, costumes e a repulsa ao trabalho.

O trabalho mecânico e manual visa a um fim exterior ao homem e pretende conseguir a perfeição de uma obra distinta dele; o ócio importa mais que o negócio; a obediência. o único princípio político verdadeiramente forte; a vontade de mandar e a disposição para cumprir ordens são-lhes peculiares; patrimonialismo, etc.

Para Holanda, o grande obstáculo para a constituição e fortalecimento de nossa democracia é termos uma sociedade calcada em valores personalistas.  A intenção de Raízes do Brasil não é dar soluções jurídico-institucionais para nossos problemas, é, antes, encontrar no nosso passado uma forma de comportamento político que propiciou o lamentável mal-entendido de nossa democracia. Esse comportamento político tem origem cultural e histórica, assim sendo, passível de mudanças.

São essas mudanças que ele observa a partir de 1888, mas ainda não plenamente desenvolvidas, daí a crença em uma revolução vertical que altere toda a estrutura social. Na sua noção de democracia, não há desprezo pelo papel das instituições sociais e, sim, uma relação de complementaridade entre as bases políticas e as bases culturais. A partir de uma mudança no nosso comportamento político é que poderemos falar em uma revolução das instituições sociais e parlamentares, a qual preparará o terreno para a realização de uma democracia plena.

Livro excelentíssimo, altamente recomendável!

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