Princesa por Jean Sasson

Comovente, forte e simplesmente magnifico, aqui os costumes e tradições da Arábia Saudita na visão de uma autêntica princesa árabe. Eis a história:

Desde a infância, Sultana (nome fictício por segurança) nunca se conformou com as leis severas para as mulheres daquele país. Vivia brigando com o irmão, Ali, porque ele era o símbolo de todos os privilégios que os filhos homens tinham diante do pai e da sociedade.

Ali estuprava meninas que não haviam menstruado ainda, guardava materiais pornográficos (alguns de zoofilia, homens com animais) e não recebia grandes castigos, até Sultana fazer ele ser descoberto pelos mutawas os fiscais religiosos. Mesmo armando planos para desmascarar Ali, Sultana, por ser mulher, nunca alcançava seu objetivo principal: conquistar o amor absoluto do pai.

A irmã mais próxima de Sultana era Sara. O casamento da jovem irmã com um senhor de mais de 60 anos foi um peso para família. Sara casou-se como se estivesse indo a um enterro e logo depois recebeu o divórcio, pois não aguentou os abusos sexuais que sofreu, ela teve sorte, porque o marido concordou em dar o divórcio.

Depois desse episódio, o pai de Sultana autorizou que ela, Sara e Ali fossem viajar com Nura, outra irmã deles, e o marido para o Cairo. Nessa viagem, Sultana tornou-se mulher, porém o resto da família só ficou sabendo quando ela voltou para casa. Nos outros países, os árabes seguiam com menos rigidez os costumes, então Sultana quis aproveitar mais sua infância. Chegando em casa, chegou também a hora de usar o véu e a abbaya.

A família soube, então, que a mãe de Sultana estava muito doente. Em pouco tempo, ela faleceu. O pai de Sultana logo se casou com uma jovem, conhecida das filhas. No primeiro momento, Sultana revoltou-se contra a moça, mas depois entendeu a falta de opção da amiga.

Sultana e Sara tinham duas amigas ainda mais revoltadas do que elas. Sem que ninguém soubesse, elas marcavam encontros com homens estrangeiros. Ficavam nuas para eles, sem descobrir os rostos, e faziam de tudo, menos penetração. Diziam que era a forma que encontraram para se divertir antes que os pais as obrigassem a casar com velhos.

Uma denúncia fez elas serem descobertas pelos mutawas quando estavam se oferecendo para estrangeiros em um estacionamento. A menina que tinha o pai mais rigoroso apenas teve seu casamento com um velho antecipado, enquanto que o pai mais liberal condenou a filha à morte, afogando-a na piscina de casa. Ao saber que Sultana e a nova esposa tinham acompanhado as duas ao estacionamento, o pai de Sultana divorciou-se da jovem e preparou um casamento para a filha.

As criadas da família real vinham de outros países. A filipina Marci tinha o sonho de guardar dinheiro e se formar enfermeira. Contudo, sabia como eram difíceis as condições para as estrangeiras. Ela contou a Sultana a história de uma amiga que foi usada como escrava sexual da família toda na casa em que trabalhava.

Outra empregada, Huda, lia o futuro para as princesas. Viu um destino alegre para Sara, mas algo conturbado para Sultana. Apesar de abalada com as previsões de Huda, Sultana resolveu encarar aquilo como bobagem. Viveu primeiro a felicidade de se apaixonar pelo homem jovem que o pai escolheu para ela se casar.

Karim parecia revoltar-se também com algumas tradições contra as mulheres. Pediu para conhecer Sultana antes do casamento. Ficou feliz ao saber que ela não havia sido circuncidada. E depois da cerimônia, quis namorar alguns dias antes de consumar a união.

Por ter desagradado a sogra durante o noivado, Sultana enfrentou dificuldades na convivência com a mãe de Karim. Depois de uma briga séria com o marido, ameaçou pedir o divórcio. Quando Karim convenceu Sultana a ficar, descobriu também sua gravidez.

No dia do nascimento do primeiro filho de Sultana, ela viu uma jovem de catorze anos cercada de mutawas, pois estava condenada, injustamente, a morte por apedrejamento. Sultana pediu a intervenção de Karim, porém ele não fez nada para ajudar. Estava voltado para o primogênito do sexo masculino. Sultana começava a se decepcionar com o marido.

Uma das alegrias na casa de Karim foi o encontro entre o irmão deste e Sara. Os dois se apaixonaram à primeira vista (encontraram-se, por acaso, no novo palácio de Sultana). Casaram-se e tiveram muitos filhos.

Com a invasão de Saddam Hussein no Kuwait e o início da Guerra do Golfo, muitos estrangeiros vieram para a Arábia. Mulheres de outros países se apresentavam como soldados e dirigiam pelas ruas. As árabes tinham inveja delas.

Sultana e Sara ficaram extremamente alegres quando souberam que algumas mulheres árabes se arriscaram dirigindo pelas ruas. Karim, então, não se mostrou tão liberal, falando que era cedo para elas se manifestarem assim. Apesar da raiva de Sultana pelas palavras do marido, ele tinha razão: em pouco tempo, as revoltadas foram reprimidas e nada mudou.

O casal ainda viveu alegrias com o nascimento das filhas, até o dia em que Karim expôs para Sultana que queria ter mais filhos (ela havia tido um problema de saúde e não podia mais engravidar) e então arrumaria uma segunda esposa. Sultana fugiu com os filhos para outro país.

Depois de muita insistência, Karim teve o perdão de Sultana, não se casou novamente, mas o amor dos dois nunca mais foi o mesmo.

Amei o livro, mas não sei se conseguiria viver assim, provavelmente não…

Leitura altamente recomendável!

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