O Quinze por Raquel de Queiroz

A história me lembra do livro Vidas Secas, pois ambos retratam os dramas típicos do Nordeste brasileiro. Porém, O Quinze se dá em dois momentos: o romance não concretizado entre Vicente e Conceição e a desgraçada família de Chico Bento.

O enredo se passa numa região remota do Ceará, em Quixadá. Lá, está à fazenda de Dona Inácia, avó de Conceição, de Dona Maroca, patroa de Chico Bento e do Major, pai de Vicente.

Há também o cenário urbano, destacando Fortaleza, por onde passa a família de retirantes de Chico Bento e onde mora Conceição.

A história é narrada em terceira pessoa, um romance escrito em linguagem simples e objetiva. O tempo é usado de maneira linear nesse livro, que se preocupa de contar a história e penetrar na interioridade de seus personagens.

A obra revela a grande preocupação social da autora, sem, contudo, prescindir daquilo que a faz única: a abordagem mais psicológica que exterior de seus personagens. Raquel  tece um duro quadro interior do sertanejo que luta como pode, para fugir de um destino que parece quase hereditário.

Na história, não apenas a seca, mas também a fome que a acompanha, fazem parte do pano de fundo do romance que se tornou um dos grandes representantes da chamada literatura regionalista de temática social que caracterizou um período da literatura brasileira do século XX.

O enredo trata dos dramas típicos do Nordeste brasileiro. Sua narrativa constrói-se a partir de dois momentos que têm como ponto de interseção a personagem Conceição.

Os dois momentos narrativos tratam, na verdade, de duas impossibilidades: o primeiro, da impossibilidade de continuar uma situação de emprego; o segundo, da impossibilidade de iniciar uma relação amorosa.

O primeiro momento narrativo enfoca o drama do vaqueiro Chico Bento e de sua família que, por conta de uma grande seca, veem-se obrigados a abandonar sua terra em busca de trabalho.

No caminho até Fortaleza, um filho morre envenenado e outro se perde. Chegando a Fortaleza, a família de retirantes é auxiliada por Conceição. No final do romance, Chico Bento e o que restou da família vão tentar a vida em São Paulo.

O segundo plano narrativo apresenta a relação afetiva entre Vicente, criador de gado de hábitos rudes, e Conceição, moça culta, prima de Vicente.

Vicente e Conceição se amam, mas reconhecem que esse amor é impossível, uma vez que Vicente é o típico proprietário rural de hábitos grosseiros e pouca educação, e Conceição é a moça culta e letrada da cidade que gosta dos livros e, certamente, ambiciona mais do que arar um pedaço de terra.

O quinze publicado em 1930 foi o primeiro livro de Rachel de Queiroz e acabou se tornando sua obra mais conhecida pelo público. O romance apresenta a grande seca ocorrida em 1915, vivenciada pela escritora em sua infância.

De característica psicológica, a autora brilhantemente discorre uma análise exterior das personagens. E fica mesmo por aí, dissecando uma característica aqui, outra ali, já que seu propósito é o de não interromper a narrativa principal com pormenores.

Rachel também opta pela previsibilidade das narrativas, uma vez que, não havendo avanços nem recuos no tempo, a história é contada de maneira tida como tradicional, obedecendo à sequência de início, meio e fim.

Excelente livro, altamente recomendável!

Boa leitura e até o próximo post!

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