O Primo Basílio por Eça de Queiroz

O livro O Primo Basílio, foi o instrumento, digamos assim, que Eça de Queiroz usou para fazer uma crítica à sociedade portuguesa, onde a imoralidade, a hipocrisia social, a futilidade, a superficialidade nos relacionamentos, e a arrogância do poder econômico criam tipos de indivíduo mesquinhos.

A obra narra a vida de Luísa que vive uma vida entediada na cidade de Lisboa com seu marido, o previsível engenheiro Jorge. Esta através de leituras e fantasias românticas vindas de livros ou de conversas dela com sua amiga Leopoldina, vemos a representação de um romantismo ingênuo e inconsequente em suas atitudes.

Até que certa feita o marido de Luísa, Jorge, viaja a trabalho e ela recebe a visita de seu ex-namorado (vi logo que coisa boa não era), um primo rico chamado Basílio, que vivia em Paris, recém-chegado de uma viagem a trabalho ao Brasil. Acontece que Paris sempre foi o sonho de Luísa, assim, ela e o primo Basílio, tornam-se amantes e passam a se encontrar frequentemente em um quarto alugado especialmente para encontros amorosos.

Basílio era um don juan, cínico, conquistador, um homem que não se relacionava com a ética amorosa, vive jogando com o sentimento alheio, o único compromisso que ele tem é com os seus próprios desejos sexuais. Logo a criada Juliana, uma chantagista, descobre o relacionamento e começa a intercepta a correspondência da patroa, escondendo as cartas comprometedoras de Luísa a Basílio.

Nas mãos da empregada, Luísa torna-se pouco a pouco uma presa nas mãos desta: é obrigada a fazer o serviço doméstico em lugar da criada e sua situação fica insustentável. A criada passa a fazer todo tipo de chantagem com a patroa, e Luísa, desesperada, propõe a Basílio que fujam. Este não aceita a proposta da amante e parte sozinho para Paris, um verdadeiro “vagabundo”, se importando apenas com ele mesmo.

Para o autor a aventura “romântica” da personagem central é vista sem nenhum romantismo; pelo contrário, é desnudada pelas lentes implacáveis do realismo, que, nessa época, Eça abraçava com fervor, utilizando-o como método de análise para elaborar um amplo e devastador quadro crítico da sociedade portuguesa. Eça de Queiroz estava influenciado pelas ideias revolucionárias de Proudhon, e seu realismo traduz as ideias de seu mestre.

Na obra O Primo Basílio, Eça faz a sua crítica à pequena burguesia e à família. Mas vai mais além. O famoso Conselheiro Acácio, que representa um formalismo afetado, mantém uma relação secreta com sua criada Leopoldina e todos seguem vivendo a fantasia da normalidade da sociedade portuguesa. Que de normal não tem é nada.

 O livro é espetacular, muito bem escrito. Eu amei e recomendo.

O Primo Basílio, de Eça de Queiroz, merece ler lido.

Boa leitura e até o próximo post!

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