O Mercador de Veneza por William Shakespeare

Amei este livro, simplesmente maravilhoso!

Não contente, assisti também o filme, igualmente espetacular. Na obra O Mercador de Veneza, de William Shakespeare é relatada uma história de amor de um jovem que para poder conquistar o amor de sua amada decide pedir ajuda financeira a um amigo para realizar seus planos.

A história se passa na Veneza do século XVI, eis o relato: o jovem nobre Bassanio pediu dinheiro emprestado ao amigo Antônio, este é rico, mas todo seu dinheiro está comprometido em empreendimentos no exterior.

O interesse de Bassanio é viajar a Belmont e pedir a mão de Portia, herdeira do rico Belmont. Porém, seu amigo Antônio não pode emprestar o dinheiro e por isso só resta procurar o agiota judeu Shylock, que vinha esperando uma oportunidade para se vingar de Antônio, pois eles não eram bons amigos. Sem contar que o judeu Shylock era ganancioso e invejoso.

Desta feita, Antônio pede dinheiro ao negociador pessoalmente, prometendo-lhe uma libra de sua própria carne, caso não haja pagamento em três meses. A notícia de que seus navios naufragaram, deixa Antônio em uma situação complicada, com o caso sendo levado à Corte de Veneza para definir se o contrato será mesmo executado.

A questão ética suscitada na obra, trata sobre o cumprimento ou não do contrato entre Antônio e Shylock, pois este, para se vingar, não cederia à possibilidade de deixar de receber o prometido: uma libra da carne de Antônio, mesmo Bassanio oferecendo o dobro do dinheiro combinado, mas não no dia firmado.

O contrato, é sabido, trata da chamada lex inter pars ou seja, lei entre as partes, que no caso, fora reconhecido como sendo válido pelas leis de Veneza e pelas autoridades competentes, porque fora registrado.

No julgamento, onde Shylock pede o cumprimento do combinado, os juízes até mesmo reconhecem a dificuldade da situação apresentada, pois como defendido por Shylock, caso o contrato fosse inobservado, haveria uma ameaça ao Estado de Direito de Veneza e à liberdade, uma vez que o Estado tem que fazer cumprir a lei, sob pena de perder a soberania sobre os seus súditos.

Nesse meio tempo, ocorre que Portia, disfarçada de juiz convidado para resolver a situação, apresenta a seguinte solução: o contrato afirma expressamente que somente uma libra de carne deveria ser retirada de Antônio, nem mais nem menos, e o mesmo contrato não afirmava nada sobre o derramamento de sangue, quando da retirada da carne, podendo Shylock ser punido caso não pudesse cumprir o que fora rigorosamente estabelecido.

Esta é a melhor parte, pois Portia, através de um jogo de interpretação consegue reverter a situação, onde Antônio se livra de sua pena, e Shylock ainda é punido e humilhado mais vez, sua condenação acontece por dolo e ele ainda perde parte de seus bens e como se não bastasse é obrigado a tornar-se cristão. Entendo eu que esse é o pior castigo para um judeu.

É interessante a situação apresentada por William Shakespeare, pois concordo com a obediência do contrato quando as partes não caem em erro e não observo erro aqui. No entanto, no caso em questão, a melhor façanha é a interpretação do contrato que considero válido, pois não fazendo comparação com a questão contratual no direito contemporâneo, conquanto houve pleno consentimento de ambas as partes.

Entendo, que é aí que está a questão ética, Shylock deveria ponderar a situação posta, e desfazer a pena do contrato, deixando de cortar a carne de Antônio, haja vista que a vida e a integridade física da pessoa humana são mais importantes do que o dinheiro emprestado. Mas movido por vingança, Shylock procede, chegando ao tribunal e sendo punido, por agir com dolo.

Assim, considero o posicionamento do tribunal, pois o judeu deveria ser realmente punido, uma vez que prosseguiu com o contrato. Entretanto, a pena imposta pelo tribunal, de obrigá-lo a se converter em cristão, em minha opinião é humilhante. Pois cada indivíduo é livre para fazer suas próprias escolhas, mediante a observância de suas próprias convicções e aspirações, pois se admite a liberdade de consciência e de crença para todos, num Estado que se considere ao menos de Direito.

Essa pena, considero, extremamente, arbitrária e desnecessária, uma vez que a liberdade é condição fundamental para o exercício dos outros direitos e para a existência de um Estado Democrático, fundamentado na capacidade de discernimento de cada um e nas consequências de sua decisão.

De qualquer forma considerando a época, o Estado e os costumas, compreendo todas as posturas dos personagens, ademais, vejo a história como um clássico jogo de interpretação.

Obra maravilhosa como todas as outras do genial William Shakespeare, quem ainda não teve o prazer ler suas obras, faça isso…não corra o risco de morrer sem conhecer este gênio da literatura universal.

Leitura altamente recomendável!

O filme também é maravilhoso!

Sem mais palavras…

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