O Auto da Compadecida

Até aonde eu sei O Auto da Compadecida foi o único livro escrito por Ariano Suassuna à obra publicada em 1955, deu destaque ao autor nacionalmente. Os leitores e depois espectadores se identificaram com o livro devido ao seu caráter popular e moderno que tem como ferramenta o regionalismo nordestino e a coloquialidade. A obra também virou peça e posteriormente filme, misturada à literatura popular nordestina com os autos medievais resultando em um enredo marcado um caráter moral e humorístico.

A história começa com dois nordestinos, João Grilo e Chicó, eles são os personagens principais da obra. João Grilo é o que se aproveita da estupidez dos ricos e do clero para exercer sua esperteza e sempre consegue levar a melhor. Chicó é o covarde e mentiroso.

João Grilo depois que consegue convencer o padre a enterrar o cão do padeiro, e vender um gato à mulher adúltera do patrão, tenta enganar o cangaceiro Severino, mas é morto pelo homem que trabalha para o cangaceiro. Todos são mortos, menos Chicó, que sai de cena para rezar pelo amigo.

João Grilo vai parar no tribunal celeste e não aceita as acusações do diabo diante de Manuel e chama por Nossa Senhora. Com toda sua esperteza, consegue superar o diabo, este fica mais enfurecido do que de costume e faz de tudo para pegar seu oponente.

No enredo a maioria vai para o purgatório: o bispo, o padre, o sacristão, o padeiro e sua mulher; mas Severino e o “cabra” vão para o céu; e João Grilo, porém graças à intervenção de Compadecida, João Grilo volta à vida com a promessa de se comportar direito. Na Terra reencontra-se com Chicó, que prometeu todo o dinheiro para Nossa Senhora se seu amigo voltasse à vida.

O livro é uma comédia do início ao fim, é um livro que você pôde reler muitas e muitas vezes e sempre será uma leitura nova. É evidente que a obra O Auto da Compadecida recebeu grande influência dos autos de Gil Vicente, quem leu Auto da Barca do Inferno, sabe do que estou falando. Entretanto, a obra também se aproxima do pitoresco ao ter a presença de um anti-herói, que é João Grilo, personagem popular que devido à esperteza e ingenuidade dá ao enredo um caráter maravilhosamente cômico.

João Grilo dribla a má sorte de uma vida de fome e miséria no sertão do Nordeste com suas trapaças e esperteza, sempre acompanhado de seu fiel amigo Chicó. Não se vocês sabem, mas Chicó e João Grilo são recriações das personagens da Comedia dell’Arte italiana e de personagens da literatura universal.

Dito isso, só me resta recomendar este maravilhoso livro.

Boa leitura, bom filme ou boa peça; vocês escolhem. Eu escolhi todos, nem preciso dizer que amei né!

Até o próximo post!

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