Meu Vizinho é Um Psicopata por Regina Lyra

O livro “Meu Vizinho é um Psicopata”, de Martha Stout possui um título alarmista, um pouco assustador, porém extremamente sedutor e eletrizante, isso para algumas pessoas. A obra trata de um assunto sério, mas que ninguém dá importância, só se preocupa quando a coisa já está feita, infelizmente: psicopatas são pessoas que não sentem compaixão ou empatia. Simplesmente são neutras, frias e vazias.

A autora é psicóloga com muitos anos de experiência e nesse livro descreve os psicopatas e como identificá-los. Na obra ela esclarece que nem todos os psicopatas são assassinos em série ou pessoas violentas, aliás a grande maioria são calmas, educadas e agradáveis. Também são pessoas com inteligência acima da média.

Um psicopata pode ser o chefe que desrespeita os funcionários, um marido agressor, pais violentos, mães histéricas, lunática ou depressivas etc. Um dado estarrecedor é que 4% da população mundial pode ser psicopata, isso é alarmante, pois quando comecei a estudar o assunto, era 1%. Então a chance de você topar com alguém assim é enorme principalmente seu vizinho.

As redes sociais também têm colaborado muito para isso, atualmente, há pessoas com mais de 300 amigos em suas redes sociais. Estatisticamente falando pelo menos 15 deles podem ser psicopatas, de acordo com os estudos citados pela autora e pelos estudiosos do assunto; sem contar que as redes sociais são seus locais de caça e observação.

As estatísticas são alarmantes e o próprio livro também, o livro nos orienta que não devemos confiar cegamente nas pessoas, por mais agradáveis, educadas ou sedutoras que elas sejam. Todos nós precisamos ter um escudo ao nosso redor, além de ficarmos atentos aos sinais, somente assim podemos minimizar as chances de sermos presa de um psicopata.

De acordo com a obra, um psicopata é um indivíduo desprovido de consciência. Por exemplo, quando você é grosseiro com alguém gratuitamente, ou seja, sem que aja uma ofensa, você não se sente bem e quer logo se desculpar. Já, considerando que você não seja um psicopata, não se sente mal com o que fez, as vezes fica até contente. A consciência dele não o acusa, simplesmente porque ele é desprovido de consciência, segundo a autora.

O psicopata é um ator espetacular, sabe aproveitar de nossa simplicidade para que sintamos dó e até nos afeiçoamos a ele, é um sedutor. Ele faz jogos psicológicos e consegue até enganar psiquiatras renomados. Martha dá um exemplo de uma mulher muito bem-sucedida que se envolve com um homem. Eles casam-se. Ele abandona o trabalho, sob o pretexto de que está deprimido. Ele vive na piscina, tomando sol, saindo com amigos, etc.

A mulher então passa a sustentá-lo e ele exige luxos e muitas regalias, não tem ajuda de nenhum tipo por parte dele nem durante a gravidez ou nos primeiros meses da criança. E o cidadão ainda consegue fazer com que ela e outras pessoas sintam pena dele. A autora deixa claro que algumas pessoas podem de fato sofrer de depressão, que é uma doença séria e exige cuidados.

E deprimidos, muitas vezes não tem ânimo para trabalhar, cumprir suas atividades diárias ou divertir-se. Mas no caso citado no livro, o cidadão dizia não ter vontade de trabalhar, mas tinha vontade de se divertir e ter uma vida de luxos, estranho não? A autora observa que o caso dele era de uma pessoa que queria aproveitar-se do amor e do carinho de sua companheira.

Na ficção, temos vários exemplos de psicopatas. Desde os vilões de novela, filmes ou series até personagens densos, que provocam arrepios de pavor. No meu caso a coisa vai mais além, cresci com estes indivíduos, tive vizinhos psicopatas, colegas de trabalho e trabalhei com eles (tecnicamente) como estudiosa do assunto, claro que só tive consciência dessa experiência depois de estudar ciências criminais e muita sorte também, já que sobrevivi para continuar estudando-os.

O lado bom é que hoje sei como identifica-los e se prevenir contra esse grande perigo invisível que nos cerca. Outro viés, é que podemos aprender com as características dele e aperfeiçoar a nossa própria experiência de vida, não para fazer o mal, mas para que não faça mal conosco, ou até mesmo para melhor aproveitamento em nossos relacionamentos, pois nem sempre é muito viável sermos muito sensíveis e emotivos.

Recomendo o livro, porém deve ser lido com cautela e reflexão. Algumas pessoas podem tornar-se mais reservadas após a leitura deste livro, com medo de todos a sua volta, mas graças à Deus e para grande alivio nem todos são assassinos cruéis. Além disso não é este o objetivo do livro.

O objetivo é alertar o leitor para evitar pessoas que abusam da nossa boa vontade e se aproveitam de nossa consideração, isso na melhor das hipóteses, porque na pior, é a morte.

Se for corajoso, leia o livro…

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