Madame Bovary por Gustave Flaubert

Não gostei do livro, tão pouco do filme. Uma vida enfadonha, Deus me livre viver assim, e a parte dos caçadores, então, detestei…

A narrativa começa com Charles Bovary. Ele é um rapaz pacato e acomodado, fruto de um casamento conturbado e infeliz, que demorou mais que o normal para ingressar na escola, isso o fez servir de chacota de alguns dos colegas. Anos depois, Charles vai para a faculdade de medicina, onde vive uma vida boêmia e não dando tanta atenção ao curso.

Com muito custo, torna-se médico e casar-se pela primeira vez com uma viúva, mais velha que ele. A primeira Madame Bovary é uma mulher de algumas poses, porém extremamente ciumenta, controladora e chata ao extremo.

Em determinado período, quando já situado em sua cidade como médico, atende ao chamado de um fazendeiro e consegue curar o abastado senhor de sua enfermidade, ele acaba por visitar a residência do gentil homem e conhece assim sua filha, Emma, um encantadora e meiga donzela, que logo cativa o coração do médico.

Sua mulher, extremamente ciumenta, logo fica incomodada, mas pouco tempo depois falece, deixando Charles Bovary viúvo, eis a chance que esperava para conquistar Emma.

Após alguns meses, depois de passado o luto, Charles Bovary acaba por casar-se mais uma vez, agora com a linda Emma. Passamos então a acompanhar a vida desse casal a partir da nova Madame Bovary.

Emma é uma garota que foi criada em um convento e, para passar os dias, deleitava-se em romances, o que a tornou uma jovem sonhadora e que idealizava os romances perfeitos dos tantos livros que lia. Temos aqui o ilustre caso de uma pessoa que tinha acesso a literatura, mas que não sabia como se portar com a informação que recebia, o que a tornou, de certa forma, alienada quanto ao tema.

Por idealizar tantas maravilhas, acabou por perceber que a vida de casada não era aquele sonho romântico que sua mente criou, o que a tornou, com o passar do tempo, amargurada quanto ao casamento. Mas, o que fazer? Era mulher, numa época em que mulheres eram totalmente devotas ao marido e ao lar, que chatice. O jeito era o escapismo, qual seja: o adultério!

Madame Bovary é o romance precursor do Realismo europeu, polêmico em sua época, considerado imoral, chegando Flaubert a ser processado pelo governo francês.

É uma narrativa que conta a história de Emma Bovary, uma mulher sonhadora e fútil, que aficionada leitora de romances, se deixa influenciar e alienar pelas ideias românticas. O casal fixa residência na província de Tostes, porém depois de uma grande festa no luxuoso castelo de Vaubyssard, Emma deslumbrada com o luxo e a riqueza que passavam longe da sua rotina ao lado do acomodado Charles, ela convence o marido a mudarem-se para Yonville.

Lá ela engravida e tem uma menina, que é entregue aos cuidados da ama-de-leite Rollet. Passam a frequentar a casa dos Bovary, o farmacêutico Homais e Leon, estudante de direito que nutre uma atração por Emma. Leon, com medo de não ser correspondido em seu amor impossível, muda-se para Paris.

Sua partida entristece enormemente Emma, que se sente só e entediada. Logo Emma conhece Rodolphe, um aristocrata decadente que vive num castelo próximo a Yonville. Emma inicia um caso de amor com Rodolpe, os encontros secretos são no castelo. Mas logo o romance acaba e ela volta a sofrer, inclusive adoecendo.

Tempos depois Emma reencontra Leon em Ruão e desta vez eles vivem uma história de amor. Emma passa a presentear o amante com roupas e presentes caros, endividando-se ao ponto de não conseguir saldar as promissórias.

O comerciante Lheureux, a quem Emma deve, resolve cobrá-la judicialmente. Ela pede ajuda ao ex-amante Rodolphe e ao amante Leon. Nenhum deles a socorre. Desesperada numa última tentativa, Emma procura o tabelião Guillaumin para evitar a penhora da casa dela. Inútil, o tabelião ainda tenta seduzi-la.

Sem saída, Emma suicida-se. Madame Bovary é o painel de uma sociedade adoecida e sem rumo, onde a crise moral estabelecida gera a insatisfação do indivíduo que busca um sentido para a futilidade da existência.

Polêmico, controverso e até chato Madame Bovary é um livro que vale apena, não apenas por seu peso histórico, mas para nos mostrar como nossos impulsos humanos podem nos tornar infelizes e responsáveis pela infelicidade alheia. Mas o pior de tudo é a nossa própria infelicidade.

Apesar de não gostar do livro, acabei segmentando algo dele como acontece com todos os clássicos. São chatos, exigentes e difíceis as vezes, mas sempre modificam nossas perspectivas…

Altamente recomendável!

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