Macunaíma: o herói sem nenhum carácter por Mário de Andrade

Confesso que ler este livro foi uma surpresa, ele apareceu em minha vida de uma forma súbita, eu nunca tinha ouvido falar dele, apesar de ser famoso na época. Ele apareceu de supetão e sua leitura foi um massacre.

Um dia conversando com uma amiga sobre livros, ela me pediu um favor, haja vista que eu lia muito. Ela me pediu para ler e fazer um trabalho de conclusão de curso da faculdade, disse que estava sem tempo para ler o livro e fazer o trabalho, segundo ela, o livro era difícil, porém não tinha como mudar, visto que estava com os prazos para elaboração esgotados. Mal sabia eu como ele era difícil.

Assim, ela desesperada e eu inocente e disposta a ajudar concordei em ler e fazer o tal trabalho. Se arrependimento matasse, estaria mortinha. Sofri desde o início da leitura até o fim, foi aterrorizante. Ainda para piorar, o livro era de uma edição antiga, com uma escrita arcaica, extremamente difícil. Perdi a conta de quantos outros livros, dicionários e tesauros consultei e li para buscar auxilio para elaboração do trabalho. Se tivesse que desistir dos livros, teria desistido naquele ano, com esse livro.

Naquela época não havia internet, eu ainda estava no colégio, vivi minha primeira ilusão como leitora e ela coitada junto, ambas achávamos que minhas muitas leituras eram suficientes para ler e interpretar o famoso MACUNAÍMA. Doce ilusão. Ele foi meu pior pesadelo como leitora, depois vieram outros, mas nenhum tão marcante como ele.

De qualquer jeito e com muito sofrimento, acho que consegui extrair alguma coisa e ela entregou o trabalho e foi aprovada, hoje é uma professora bem-sucedida e eu uma leitora mais experiente.

Pois, bem, Macunaíma, esse herói sem nenhum caráter, como é culturalmente conhecido é um marco sobre a discussão a respeito da identidade brasileira, ainda uma discussão fundamental na atualidade. As inovações estéticas contidas nessa rapsódia e o conhecimento sobre a cultura brasileira presentes nesse livro tem um lugar de destaque entre os clássicos da nossa literatura. Taí o fascínio das pessoas com esse livro “Deus me livre”.

Macunaíma, um livro de difícil leitura (como já mencionei, pelo menos para mim), pelo vocabulário e neologismos da época (1928) em que foi escrito. A palavra “Macunaíma”, segundo Haroldo de Campos, parece conter como parte essencial “Maku”, que significa: Mau; e o sufixo “Ima”, que significa: Grande. Macunaíma significaria, portanto, “O Grande Mau”. Nosso herói sem caráter, como define o próprio Mário de Andrade, seria uma ambiguidade, com poderes de criação e transformação, mas também malicioso e pérfido.

O texto não segue uma ordem cronológica ou geográfica (espaço-tempo), já que o herói perfaz caminhos por todo o território brasileiro, bem como por diferentes situações que nos remetem a épocas distintas. O tempo, neste caso, é totalmente subvertido. Geograficamente, Macunaíma vai de São Paulo ao Rio de Janeiro, de Mato Grosso ao Amazonas, de Pernambuco a Minas Gerais. Cronologicamente, dialoga com personagens do século XVI (João Ramalho); com os holandeses (século XVII); com Hércule Florence (século XIX); e com Delmiro Gouveia (século XIX).

Lembra um pouco a volta ao mundo de Júlio Verme, bom, pelo menos para mim. Esse li tempos depois, eu acho, mas foi maravilhoso; enfim Mário de Andrade ao misturar culturas, regionalismos e tradições das diferentes partes do Brasil, revoluciona a literatura da época.

Macunaíma resulta de anos de pesquisa dos mitos e lendas indígenas, bem como do folclore nacional. É uma rapsódia (termo usado pelos gregos para definir obras que contém as tradições folclóricas de um povo), bem como a Ilíada e Odisseia (de Homero).

Não, não é fácil ler Macunaíma, diria que é desafiador. No entanto, essencial para o engrandecimento do vocabulário e do conhecimento de tantas riquezas nacionais. Sim, foi sofrido, foi e muito diferente de tudo que já li até agora, se recomendo, hum…não sei…talvez se lesse de novamente, é provável que tenha uma outra visão do livro. De toda a sorte, até hoje não guardei bem o enredo da obra, o que ficou mesmo foi o vocabulário e seus traços para lá de engraçados.

Leia o livro se for corajoso ou assista o filme, kkkk

Eu vou assistir o filme.

Boa leitura!

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