Discurso da Servidão Voluntária

Já não sei dizer quantos livros maravilhosos li nessa vida, e entre tantos está Étienne de La Boétie, em o Discurso da Servidão Voluntária; escrito por volta do século XVI, este livro foi considerado o mais forte e vibrante hino à liberdade, escrito.

De antemão, já digo que não é um livro fácil de ler, mas ao compreendê-lo em sua plenitude é como se uma película embasada fosse removida de seus olhos e você contemplasse uma nova visão de mundo, de pessoas e de perspectivas.

Um advogado me indicou este livro, quando eu cursava o último ano do curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação e ele foi muito feliz nesta indicação, depois desta leitura nunca mais fui a mesma.

Os advogados são ótimos para indicar bons livros, fica a dica; voltando a obra, La Boétie questiona quais as razões que faz com que as pessoas se submetem à tirania de um governo, e conclui que o motivo principal dessa submissão reside nas próprias pessoas, no seu espírito de servidão, de escravidão voluntária.

Desta feita, brilhantemente comprova, em suas argumentações incisivas e com exemplos referenciais, o estado de servidão em que se encontra a maioria dos homens de seu tempo. É um livro motivado pelo momento histórico em que esteve inserido, a obra reflete, dirige e se discute à realidade francesa da época em tempos de sofrimento.

Boétie inicia o livro delimitando o assunto, e afastando uma possível alusão das formas corretas e desejáveis de governo, pontuando o tratamento no entendimento das razões que levariam tantas nações, cidades e homens a se submeter ao poderio de um só líder, sendo este alguém a quem não deveriam temer nem tampouco amar, visto que é sozinho e cruel.

A submissão tratada no livro é diferente daquelas que são infligidas a povos que se viram subjugados à força, como em Atenas e em outros momentos históricos. Nestas situações, é conveniente lamentar o incidente, suportar o infortúnio presente e reservar-se para o melhor no futuro.

Discurso da Servidão Voluntária deixa implícita essa diferenciação do certo amor da liberdade como algo como desejável para o homem. Essa sujeição abordada não deve ser chamada de covardia, porque esta se dá em uma escala menor, em um número relativamente pequeno de indivíduos que recua e segue uma única pessoa.

Aqui o que se vê, são povos inteiros que aceitam os preceitos de um único indivíduo que não deveria inspirar medo por seus próprios atributos. De acordo com o autor, tal cenário mostra seu absurdo e o levaria a não ser acreditado se fosse contado a outrem, a saída do estado de servidão pode ser entendida como uma passividade, e não uma ação revolucionária.

Os próprios homens se sujeitam a servidão, estabelecendo uma relação se submissão entre o povo e seu próprio algoz. Este só se mantém a consentimento daquele. Parece meio absurdo, mas assim é que é de fato. Nós infelizmente somos ou estamos sujeitos a servidão, talvez por comodidade, preguiça ou passividade.

É estranho. Antes de ler este livro, eu nunca parei para refletir sobre minha própria condição de submissão em relação ao meu governo, minha sociedade ou até mesmo em relação aos que me rodeiam. E mais, esta constatação é aterrorizante, pois é muito desagradável ter consciência de que liberdade de fato não existe e que toda essa historia de liberdade não passa de utopia.

Acredite, depois de ler este livro, você nunca mais será o mesmo.

Livro excelente!

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