Grandes Sertões Veredas

Confesso que ao ler este maravilhoso livro me senti um pouco estranha, acreditava que eu teria uma imensa dificuldade em ler esse estilo literário. A obra traz uma linguagem da qual não sou muito íntima, Guimarães Rosa possui uma linguagem não convencional, intimidadora, irregular, pelo menos para mim.

Mas isso foi antes de lê-lo. Agora posso dizer com toda firmeza que me senti muito envolvida, muito fascinada com a história de Riobaldo, e extasiada com a erudição e poesia do autor. Grande Sertão Veredas é realmente uma obra fantástica, um dos melhores livros que tive o prazer de ler.

Eu li o livro sem precisar fazer anotações, mas se o leitor achar necessário: faça anotações das passagens que chamarem a sua atenção. Como disse, o romance é irregular, é uma linguagem diferente e algumas passagens são um pouco complexas, precisa um pouco mais de atenção para que o leitor possa prosseguir a leitura, eu não tive problemas, apesar de no início ficar um pouco receiosa.

A obra é simplesmente fascinante. Aquele tipo de livro que não se esquece. Marca o leitor e Guimarães Rosa é divino, ele, através de seu estilo de contar histórias nos permite fazer parte de um universo totalmente diferente do nosso, algo inimaginável, você viaja no enredo e não quer voltar.

A história é uma mistura de tempos, falas populares, arcaicas e modernas. O autor cita a Bíblia, Dante, Doutor Fausto e diversos personagens modernos, e claro, a literatura brasileira do estilo sertanejo. Todos os personagens viajando e se cruzando pelo Sertão com suas visões do mundo. Uma leve pitada do romance moderno e épico. O épico como sempre ligado ao mundo mítico e heroico das grandes batalhas e das histórias dos bandos de jagunços, um oceano de estórias do sertão.

Grande Sertão Veredas é uma autobiografia de Riobaldo sobre seus tempos de jagunço, seu amor por Diadorin, são acontecimentos de sua vida, dos afetos e desafetos, sobre sua visão de mundo e de seus demônios.

Um livro altamente recomendável, aquele tipo de livro que não dá para morrer sem ler…

 

Vidas secas

Em Vidas Secas, Graciliano Ramos conta a história de Fabiano e sua família, sua esposa Sinhá Vitória,seus dois filhos e a cachorra Baleia. A estória começa com a família se arrastando pelo sertão, sofrendo com a seca nordestina.

A trama é melancólica, narra todo o sofrimento do povo nordestino e claro seu pessimismo diante de um futuro sóbrio. O livro é sobre o realismo.

Eu não gostei da estória, pois a família matou a cachorra baleia para se alimentar e mesmo assim continuaram com fome e na miséria e como amo cães, detestei essa parte do livro. Os personagens são chatos, pessimistas e muito melancólico, a menos decepcionante do livro é a cachorra baleia, a qual não fosse o fato de a narrativa parecer ter o compromisso de ser realista, até seria uma personagem interessante.

Bem, eu tenho problemas com o pessimismo do autor, pois otimista; portanto, não me agradou a narrativa e a construção de personagens.

De qualquer forma vale a sua leitura para uma opinião própria; pois cada pessoa tem sua visão da trama, além disso é sempre bom ler os clássicos nacionais.

Boa leitura!