A república

A República, de Platão é um diálogo socrático, escrito no século IV a.C., tratando-se de uma república onde são questionados os assuntos da organização social, a teoria política, a filosofia e a política.

teach_greece

A ordem da cidade é uma incorporação na realidade histórica da ideia do bem, o agathon. A incorporação deve ser levada a cabo pela pessoa que contemplou o agathon e deixou que a sua consciência fosse ordenada pela visão, o filósofo.

20150803080243267957i

Na parte central do diálogo, Platão trata do governo dos filósofos e da visão do bem, na famosa Alegoria da Caverna. As três partes em conjunto formam o corpo principal do diálogo com a discussão da ordem justa, a incorporação, a sua gênese e o seu declínio.

banner1

O debate da ordem justa surge a propósito da questão sobre se a justiça é melhor que a injustiça ou se o homem injusto terá uma vida mais regalada que a do justo. Após a questão e o debate prolongado sobre a ordem justa, surge a resposta conclusiva de que a justiça é preferível à corrupção.

images (1)

O corpo principal do diálogo bem como a introdução e conclusão são enquadrados pelo prólogo que constitui um curto diálogo sobre a justiça em que se debata em as opiniões correntes que levanta questões respondidas com o mito da salvação.

images

A República usa uma argumentação dialética, sendo este pensamento caracterizado  no aprendizado de que a realidade é à luz de posições contraditórias, uma das quais acaba por ser compreendida como verdadeira e a outra falsa.

maxresdefault

A imagem correspondente é a do confronto entre luz, sol, claridade e trevas, escuridão e caverna. A dialética ascendente apresenta a ideia por confronto com os pontos de partida empíricos; a dialética descendente verifica a corrupção da ideia devido à sua incorporação numa situação empírica.

republica-de-platao

É particularmente interessante notar como as ideias do livro viriam a influenciar os autores posteriores. Por exemplo Platão desenvolve temas como propriedade privada e liberação sexual de forma bastante similar as que seriam propostas nas obras de Engels.

platao

Ótimo livro, porém, sua leitura é complexa como todo livro escrito por filósofos, mas quanto compreendido é uma leitura extremamente agradável.

Altamente recomendável!

Espalhe esse post por ai!

Abraham Lincoln, esse desconhecido

Abraham Lincoln, um dos mais admiráveis presidentes do Estados Unidos da América – EUA, nasceu em 1809 em Hodgenville no Estado de Kentucky, no sul dos Estados Unidos e faleceu em Washington. Filho de um homem da fronteira, teve que lutar para sobreviver, com esforços para estudar enquanto trabalhava em uma fazenda como lenhador e dirigia uma loja em Illinois. Eu me apaixonei por este homem notável assim que li um breve ensaio sobre ele, depois disso acompanhei toda sua trajetória através de diversos escritos.

frases-de-lincoln-2-750x380

Abraham Lincoln, foi um político magnifico sendo o 16º presidente dos Estados Unidos de março de 1861 até seu assassinato em abril de 1865.

Foi um grande estadista, governou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra de Secessão. Lincoln conseguiu preservar a União e abolir a escravidão. Antes de sua eleição em 1860 como o primeiro presidente Republicano, Lincoln atuou como advogado de condado, legislador pelo estado de Illinois, membro da Câmara dos Representantes e duas vezes candidato derrotado ao Senado dos Estados Unidos.

Oponente declarado à expansão da escravidão nos Estados Unidos, Lincoln venceu a pré-candidatura do Partido Republicano em 1860, sendo eleito presidente no final do mesmo ano. Grande parte de seu mandato foi dedicado ao combate aos separatistas dos Estados Confederados da América durante a Guerra da Secessão. Ele tomou medidas que levaram à abolição da escravatura, promulgando a Proclamação de Emancipação em 1863 e promovendo a aprovação da Décima terceira emenda da constituição dos Estados Unidos da América.

images

O presidente Lincoln supervisionara de modo ostensivo os esforços vitoriosos de guerra, especialmente na seleção dos melhores generais, como Ulysses S. Grant. Historiadores concluíram que ele conseguiu se sobrepor às diversas facções do Partido Republicano, negociando a cooperação dos líderes de cada uma delas pessoalmente em seu gabinete. Sob sua liderança, a União obteve controle dos estados escravocratas de fronteira durante a guerra, ao mesmo tempo em que ele conseguia se reeleger na eleição presidencial de 1864.

Lincoln fora criticado por opositores políticos e outros oponentes à guerra por se recusar a chegar a um denominador comum na questão da escravidão. Por outro lado, os Republicanos Radicais, uma facção abolicionista do Partido Republicano, o criticara pelo avanço moroso na abolição da escravatura. Mesmo com esses adversários, Lincoln conseguira conquistar a opinião pública através de sua retórica e discursos. Seu Discurso de Gettysburg, de 1863, tornou-se um símbolo icônico dos deveres de sua nação. Nas etapas finais da guerra, Lincoln tinha uma visão moderada da Reconstrução, procurando reunir seu país de forma mais rápida através de uma política generosa de reconciliação.

Seis dias após a rendição em larga escala das forças Confederadas sob o comando do General Robert E. Lee, Lincoln se tornou o primeiro Presidente dos Estados Unidos a ser assassinado.

Sabe-se que o presidente Lincoln professava o Espiritismo e que ele costumava fazer sessões espíritas na Casa Branca.

Lincoln foi capitão contra um levante dos índios, passou oito anos na Assembleia Legislativa do Estado de Illinois, no norte do país, e exerceu advocacia por muitos anos no circuito de tribunais.

Na inauguração do cemitério militar em Gettysburg, Lincoln declarou: “Que todos nós aqui presentes solenemente admitamos que esses homens não morreram em vão, que está Nação, com a graça de Deus, venha gerar uma nova liberdade, e que o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desaparecerá da face da terra”.

Ele venceu a reeleição em 1864, enquanto os triunfos militares da União prenunciavam o fim da guerra. Em seus planos para a paz, o presidente era flexível e generoso, encorajando os sulistas a baixarem suas armas e voltarem à União. O espírito que o guiava era claramente o de seu segundo discurso de posse, atualmente gravado em uma parede do Memorial de Lincoln em Washington, DC:

“Sem malícia contra ninguém; com caridade para com todos; com firmeza no correto, que Deus nos permita ver o certo, nos permita lutar para concluirmos o trabalho que começamos; para fechar as feridas da nação…”

Em 14 de abril de 1865, uma sexta-feira santa, Lincoln foi assassinado no Teatro Ford em Washington por John Wilkes Booth, um ator que achava estar ajudando o Sul. O resultado foi o oposto pois, com a morte de Lincoln, morreu a possibilidade de paz com magnanimidade.

 

O Espírito das Leis

Quando li Montesquieu, O Espírito das Leis pela primeira vez, fiquei boquiaberta, pois tinha que o ler novamente para entendê-lo e tive mesmo.

Político, filósofo e escritor, com formação iluminista, Montesquieu é considerado um dos percussores da Sociologia, mesmo não direcionando suas pesquisas nesta Ciência. Em sua época criticava as autoridades religiosas, a monarquia absolutista e suas políticas, escreveu teorias políticas e ficou conhecido com os estudos da modernidade separando os poderes na obra O Espírito das Leis escrita em 1748.

Com este manuscrito, ele tencionava tornar a história fácil, organizando as leis que apontaram a direção dos acontecimentos sociais. Este livro inicia o pensamento liberal e as teorias modernas sobre o parlamentarismo como o conhecemos hoje.

Ao se enveredar na seara da sociologia política, Montesquieu investiga as organizações sociais iniciando as causas geográficas e morais da sociedade ocidental. Para isso, o autor relaciona as leis como necessárias para estabelecer as sociedades, leis estas criadas pela razão humana, diferentes das leis naturais criadas por Deus ou deuses.

Assim, forma-se a sociedade civil, que constitui as leis civis como o  Direito das Gentes, a relação entre os povos, personificado em um presidente ou um rei, poder executivo, o poder legislativo se personificado com a nobreza criando as leis; o Direito Político, que forma a relação entre seus governantes e os cidadãos e o Direito Civil,  que é a relação entre os cidadãos e, por fim a demarcação dos indivíduos e o amparo das organizações governamentais, personificando o governo com o interesse do povo, regulando o poder judiciário.

O Espírito das Leis se dá, portanto, na relação do povo com suas leis, um apanhado geográfico, histórico e moral que determinam a vinculação social, um produto racional dos costumes de uma população.

Na obra, Montesquieu tenta desenvolver um governo efetivo, que irá manter o país unido. O autor sustentava que o mais efetivo tipo de governo é a monarquia. Através dela, o monarca exerce seu poder, com sua nobreza, e o clero e o parlamento controlam suas ações. Ele apregoava que o fraco deve se proteger do forte através das leis e pela separação dos poderes. Ele defendia a tese de que a nobreza e o monarca devem estar unidos, e que um não terá sucesso sem o outro.

O autor acreditava na real importância de se educar o cidadão no sentido de entender que as leis eram o caminho certo a se seguir. Montesquieu também acreditava que a religião era a peça fundamental para ajudar a controlar o país, e deve ser utilizada pelo governante para manter a lealdade dos cidadãos; acredito que neste ponto, ele está certo, a religião é um dos melhores instrumentos para controlar um povo, porém, penso que a religião deve apenas ser vista com cunho espiritual, ou seja, cuidar somente dos assuntos espirituais.

Em linhas gerais, O Espírito das Leis não foi seguido à risca pelos governantes em seu tempo, mas serviu de guia para muitos governos, inclusive em nosso tempo.

O que vale destacar analisando o aspecto político e social do homem é que não se deve de modo algum regular-se pelas leis divinas o que deve ser pelas leis humanas, nem regulamentar pelas leis humanas o que deve ser feito pelas leis divinas, deve-se estabelecer a divisão entre religião e política. O que o autor escreve é que o domínio próprio da política e de sua ciência, não se confunde com o da religião ou o da moral. Alguns pensadores acreditam, ele inaugurou a sociologia política.

Lendo a obra e analisando-a acredito que para o autor, o que importava é compreender a natureza e o principio de cada espécie de governo e não julgar os governos existentes.

Boa leitura!

O Idiota

O idiota

Meu autor de hoje é um ícone da literatura mundial. São livros que traçam questões existenciais, tais como dor, suicídio, paixão, loucura, e tantas outas coisas; assim, eu tenho o grande prazer de vós apresentar Fiódor Dostoiévsky.

Li Crime e Castigo, depois O Idiota, pois além de fazer parte da sua vasta biografia, são obras primas da literatura universal. Mas minha resenha de hoje vem baseada em fatos. A obra foi inspirada em uma  jovem que ateou fogo a própria casa devido aos maus tratos de sua família. Daí a origem da maioria dos psicopatas, mas isso é uma outra história…pois bem voltemos a nossa história…a obra, claro…

O livro O Idiota é de 1868,  foi traduzido para vários idiomas. No Brasil, quem o traduziu foi Paulo Bezerra. Grande tradutor brasileiro das obras de Dostoiévsky no país. A obra possui apenas 683 páginas. O livro é exigente, precisa de tempo, esforço e uma boa dose de disciplina, porém vale apena sua leitura…eu amei do início ao fim.

O personagem principal é o príncipe Michkinc, o idiota, ele é uma pessoa enferma que sofre fortes ataques epiléticos, porém mesmo sofrendo possui um olhar lúcido em relação a vida. O que o faz diferente dos demais personagens é que ele é a personificação da esquizofrenia, da sua histeria ou da loucura coletiva…bom eu adoro ler livros sobre loucura e afins….

Na obra Dostoiévski, tese notas como a Rússia era retratada naquela época. Todavia, a narrativa está sem angústia ou pesar, mesmo que tenhamos ciência de um pensamento político por detrás dos escritos, a leitura é bastante facilitada. E mais, sobre a escrita a respeito da Rússia, o que percebi é que toda a sociedade passa por idiota, mas isso foi o que eu senti…cada leitor tem a sua percepção da obra.

O fato é que em vivemos em constante questionamento, a obra traz isso à tona, essa vida louca de viver sempre com presa. As redes sociais, os oceanos de informações e estudos que não me deixam mentir…antigamente tudo era vivido através de um livro, tudo mais devagar….