Ócrun:

O bem e o mal se atraem

É a vida é mesmo maravilhosamente surpreendente! E porque eu digo isso? Simples. Quem me conhece sabe que eu amo livros, já perdi a conta de quantos livros já li ao longo dos anos e ao longo desses anos conheci pessoas (personagens) fascinantes, mas não conhecia nenhum autor, nem poeta e nem mesmo um simples resenhista como eu…

Fato é que essa aventura de resenhar começou a pouco mais de um ano, um ano de muitas alegrias, muito trabalho e o melhor neste ano conheci pessoas excelentíssimas, pessoas inteligentíssimas, com uma criatividade fora do comum…

E uma dessas pessoas que tive o prazer de conhecer mesmo que a distância foi a Cláudia, autora do livro Ócrun; o bem e o mal se atraem, e assim começo minha aventura na mais fascinante leitura fantástica; eu amei a história. Ela é bela, envolvente e emocionante. Fala de amor, preconceito, crenças, aventura e drama. Não chorei quando a li, mas confesso que fiquei a beira das lágrimas.

Gostei tanto que li em dois dias, eu acho, é que tinha outras leituras, então fui intercalando. Pra mim, o livro é fascinante! Eu a indico para quem gosta de fantasia, mas para quem não gosta também, pois a obra respinga em varias questões é uma obra para se divertir, sonhar, mas também para refletir. Tem um final emocionante, mas eu estava torcendo por outro, rs. Vale a pena ler este livro! 

Dito isso, vamos ao enredo. A história se passa no século XVII, em um vilarejo Frances de Laureville e narra o romance proibido entre um jovem supostamente bruxo e uma jovem destinada a um convento. Nesta cidade todos acreditam que existe um bruxo e este atormenta a todos com seus feitiços maléficos.

O que se sabe é que um jovem chamado Ócrun, nasceu numa sexta-feira treze do mês de agosto à meia-noite, havia lua cheia e ele era o sétimo filho de uma família já com seis filhas mulheres. Na época a crença era que se uma mulher tivesse seis filhas ou filhos do mesmo sexo, o sétimo seria um bruxo (a). Por incrível que parece hoje me pleno século XXI, já ouvi gente dizendo esta besteira.

Enfim, voltemos à história, assim, segundo o povoado, Ócrun quando  criança, já praticava bruxarias e tinha poderes mágicos, o que assustava muito toda a província. E por cauda dessas mágicas, ele foi acusado de matar um padre em uma missa ainda muito jovem, com apenas doze anos.

Desta feita, expulsaram-no do vilarejo, depois de inúmeras  tentativas de matá-lo, sem sucesso. Para piorar a situação de Ócrun, sete crianças haviam sido assassinadas com requintes de magia negra, e outras atividades supostamente paranormais haviam sido testemunhadas por moradores, resultando na fuga do suposto bruxo.

Mas como a vida é surpreendente até no meio da fantasia e do misticismo da época, o amor acontece entre Cristiane, a jovem que pretendia ser noviça de um convento e o jovem Ócrun acusado de ser o bruxo e ter cometido diversos crimes.

Após sofrer um acidente, Cristiane é socorrida e cuidada pelo jovem bruxo descobre que ele é um homem extremamente bondoso e com dons  sobrenaturais. Assim, a jovem testemunhando a bondade, a inocência do jovem procura a todo custo convencer a província do grande erro que todos estavam cometendo em acusá-lo.

Porém, ao invés de melhorar a situação do jovem bruxo, ela se complica ainda mais, pois agora o Vaticano ordena a “Santa Inquisição” para cuidar da questão.

Um livro pequeno no tamanho, mas grande no conteúdo, leitura altamente recomendável!

Boa leitura!

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Laços de família, de Clarice Lispector

Considerada uma das coletâneas de contos mais importantes de Clarice Lispector, Laços de Famíliaé uma obra que apresenta a temática familiar como foco principal, bem como questões acerca da vida das mulheres, permeadas por narrativas com histórias cheias de um eu-lírico feminino através de fluxo de consciência extremamente característicos dessa autora.

Os contos desse livro se interligam ao narrarem histórias sobre desentendimentos familiares, onde nos são apresentadas personagens comuns que são massacradas pouco a pouco por questões familiares ou imposições impostas pela sociedade ou por outras situações, tais, como: o matrimônio e a maternidade.

São histórias de personagens que buscam libertação, sejam de quaisquer forem as situações, passando pela libertação das obrigações impostas pela sociedade até mesmo pela libertação da culpa e do remorso sobre certas escolhas de vida.

Em Laços de Família, encontramos contos que passam quase sempre por reflexões acerca dos papes exercidos no convívio familiar e social, sendo que a maioria das personagens passam por uma análise da própria vida para enfim chegarem a uma epifania que rompe com a monotonia e com as coisas que são impostas às pessoas, em sua maioria, as mulheres.

Resumo dos Contos

(…) Ai que quarto suculento! ela se abanava no Brasil. O sol preso pelas persianas tremia na parede como uma gui­tarra. A Rua do Riachuelo sacudia-se ao peso arquejante dos elétricos que vinham da Rua Mem de Sá. Ela ouvia curiosa e entediada o estremecimento do guarda-loiça na sala das visitas. D’impaciência, virou-se-lhe o corpo de bru­ços, e enquanto estava a esticar com amor os dedos dos pés pequeninos, aguardava seu próximo pensamento com os olhos abertos. “Quem encontrou, buscou”, disse-se em forma de rifão rimado, o que sempre terminava por parecer com alguma verdade.

Devaneio e embriaguez duma rapariga

Neste conto, deparamo-nos com a história de uma portuguesa entediada com seu papel de esposa, mãe de família e dona de casa, a protagonista passa por uma reflexão sobre sua vida e chega a abandonar todas as tarefas domésticas, o que faz com que o marido chegue a pensar que ela está doente, contudo, é apenas a insatisfação da personagem com o tédio de sua vida.

Sendo assim, o marido decide levá-la a um jantar de trabalho com um comerciante rico. Aproveitando a situação, a dona de casa acaba se embebedando e fica extremamente feliz, devido a quebra de rotina e tédio que se instaura na sua vida.

As atitudes da mulher beiram ao vexame, o tanto que ela bebe e exagera em suas ações, torna-se uma mulher totalmente diferente da dona de casa que sempre foi, porém, a presença do marido proporciona segurança a ela que continua com sua extravagância alcoólica até a chegada de uma outra mulher, uma loira muito bonita e atraente, que causa um espécie de inveja e humilhação à figura da dona de casa.

Entretanto, ao analisá-la, a portuguesa percebe que a moça que acabou de chegar tem a cintura muito fina, o que a impossibilitaria de ter filhos, assim, consagra-se como vencedora da disputa entre as duas, pois, ela tem filhos e vencera a adversária por isso, que é o papel principal da existência feminina.

Amor

A protagonista deste conto, Ana, é uma mulher casada que possui uma vida pacata e dois filhos, vivendo sempre a cuidar da casa e das tarefas de esposa e mãe, porém, Ana encontra-se infeliz.

Numa tarde solitária em sua casa, decide-se por sair e fazer compras, após isso, no caminho de volta para casa, vê algo incomum: um cego mascando chicletes, começa assim a divagar sobre esse ato maquinal feito na escuridão, fazendo uma análise da sua própria vida a comparar aquela ruminação maquinal cega, o que faz com que ela entre em desiquilíbrio existencial.

Atrapalha-se e derruba suas compras no bonde, além de deixar-se ser levada pelo bonde e ir parar no Jardim Botânico, onde sai para caminhar e ruminar seus pensamentos.

É neste lugar onde chega a uma epifania: diante das grandes arvores, avista alguns vegetais presos em seus galhos, contudo, esses mesmos vegetais eram sugados por parasitas, o que causa nojo em Ana. Assim, ela perde a noção do tempo e caba sendo trancada dentro do parque, pois ele já havia fechado.

Fica vagando a procura de alguém que possa permitir que ela saia, neste tempo, continua a pensar na árvore e seu parasita, chegando a conclusão que eles são fundamentais um para os outros, mesmo que a árvore seja o lado ais forte dessa relação e possa sobreviver sozinha.

Portanto, ela consegue achar a saída e volta para casa, sendo a esposa e mãe dedicada de sempre, amando-os incondicionalmente, de uma forma louca, com um amor que até mesmo causava nojo, e assim acaba acreditando que está cumprindo seu papel familiar e existencial.

Uma galinha

Neste conto nos deparamos com a história de uma galinha que foi comprada por uma família para se tornar refeição, contudo, antes que a matassem para coloca-la na panela, essa galinha consegui alçar voo e fugir pelos telhados das casas da vizinhança, o chefe da família a persegue até conseguir agarrá-la, depois de certo tempo de uma corrida desesperada pela vida.

De volta à casa da família, após ser apanhada, a galinha fica terrivelmente assustada e acaba botando um ovo. O ato sagrado de botar um ovo, que está intrinsecamente ligado à questão feminina da maternidade, acaba salvando a vida da galinha, pois, após verem o ovo, os membros da família desistem de comê-la e passam a tê-la como a mascote da casa por um bom tempo.

Entretanto, depois de certo tempo, a galinha para de botar ovos e acaba finalmente virando refeição.

A imitação da rosa

Neste conto encontramos Laura, uma mulher casada e sem filhos, que está se preparando para um jantar na casa de amigos. Na narrativa, é a primeira vez em que Laura volta a vida normal e vai sair de casa para ver outras pessoas após a temporada em que esteve internada no hospital, devido a um surto.

Os planos de Laura eram estar arrumada e com tudo pronto antes que se marido chegasse, assim teria tempo de ajudá-lo a se aprontar. Laura buscava a perfeição a todo tempo e queria ser uma esposa modelo, por isso vivia somente para cumprir as obrigações do lar.

Laura acaba cochilando no sofá, quando acorda, sente-se que tudo em sua vida está renovado e as rosas que comprara pela manhã lhe parecem ainda mais belas e cheias de vida, então, decide por levá-las ao jantar e presentear a amiga com elas.

Pensou em mandar as rosas antes, por meio da empregada que logo despacharia de casa, contudo, estava incerta quanto a isso, perguntava-se porque aqueles lindas rosas não poderiam ser dela e por que aquelas rosas a ameaçavam.

Porém, acabou mandando-as mesmo assim quando a empregada foi embora e não teve mais como voltar a atrás. As rosas acabaram por romper em Laura o seu desejo de não ser mais submissa, ou seja, a vontade de ser linda, independente e tranquila como as rosas, sem necessitar de mais nada ou ninguém para isso.

As horas passas e o marido chega em casa e encontra Laura ainda sentada na poltrona, sendo que ela não conseguiu fazer nada daquilo o que tinha planejado.

Feliz Aniversário

Neste conto encontramos a infelicidade e elos familiares enfraquecidos através da narrativa de uma história que conta a preparação de uma festa de aniversário para uma senhora que mora com uma de suas filhas.

Por alguma razão a filha está revoltada por ter que fazer todos os preparativos da festa, não acha justo que ela deva arcar sozinha com o trabalho e com os gastos do aniversário da mãe enquanto que os irmãos apenas apareceram para comemorar o aniversário e aproveitarem da melhora parte da comemoração.

Contudo, esse sentimento é o interior, pois, no exterior, a filha apresenta-se disfarçadamente feliz, empolgada e solicita para o aniversário da mãe.

Aos poucos os outros membros da família vão chegando, os outros filhos, irmãos, sobrinhos, netos; porém, nenhum deles parece contente de estar ali, participam da festa apenas para manterem as aparências e fingirem um laço familiar inexistente, sendo que muitos nem visitam a senhora em outras datas a não ser nas festivas.

Dona Anita, a velhinha aniversariante do conto, observa-os em silêncio a família chegando e a cumprimentando, contudo, internamente, julga a todos e percebe que não existem laços familiares entre aquelas pessoas, que todos estão ali por mera formalidade e então acaba por romper num lapso de raiva onde briga com todos e diz algumas verdades a eles, o que culmina na aceleração do final da festa com o cantar dos parabéns e os parentes indo embora, não antes de ironicamente um dos ilhós dizer a ela até ano que vem.

“Todos olharam a aniversariante, compungidos, respeitosos, em silêncio. Pareciam ratos se acotovelando, a sua família. Os meninos, embora crescidos – provavelmente já além dos cinquenta anos, que sei eu! – os meninos ainda conservavam os traços bonitinhos. Mas que mulheres haviam escolhido! E que mulheres os netos – ainda mais fracos e mais azedos – haviam escolhido. Todas vaidosas e de pernas finas, com aqueles colares falsificados de mulher que na hora não aguenta a mão, aquelas mulherezinhas que casavam mal os filhos, que não sabiam pôr uma criada em seu lugar, e todas elas com as orelhas cheias de brincos – nenhum, nenhum de ouro! A raiva a sufocava.”

A menor mulher do mundo

Um conto carregado de simbolismo e um lirismo poético pungente, que narra a história de uma mulher integrante de uma tribo africana de pigmeus que se encontrava até então isolada do resto da sociedade.

A mulher em questão possui apenas 45 cm, o que dá a ela o título de a menor mulher do mundo. A notícia dessa descoberta se espalha pelo mundo e todos querem ter a menor mulher do mundo em casa, seja como objeto de divertimento, entretenimento ou com a desculpa de que ela merecia ser cuidada e preservada, contudo, as personagens deste conto sempre apresentam pensamentos sombrios acerca da posse dessa mulher que mostra-se se ruma figura inocente e extremamente feliz, mesmo tendo muito pouco de acordo com a visão de mundo das pessoas comuns.

Um conto enigmático com uma narrativa irônica sobre a vontade do ser humano de possuir as coisas.

O Jantar

O primeiro conto dessa obra com a narrativa do ponto de vista masculino, onde se pode observar toda a meticulosidade do homem a jantar, numa espécie de metáfora com a questão de alimentação ser algo essencial para a sobrevivência humana, vindo desde os tempos primitivos do homem.

O personagem em questão observa um velho a comer num restaurante de forma bruta e feroz, o que lhe causa náuseas e a perca do apetite e o faz refletir sobre o ato de comer e sobre a vida em si. Outro conto cheio de simbolismos e metáforas dessa obra.

Preciosidade

Essa narrativa apresenta-nos a uma protagonista feminina que vivia em constante tensão por ter que sempre guardar a sua preciosidade, contudo, essa estudante de 15 anos, morria de medo de aproximar-se de figuras masculinas devido a esse fator.

Entretanto, ao decorrer dessa história sobre transformação, a mocinha vai percebendo como a sua preciosidade anda ameaçada devido ao fato de estar se tornando uma mulher, até chegar ao clímax do conto que se apresenta num beco sem saída, apresenta-se quando ela percebe que não existe meios de fugir das “responsabilidade” femininas ao se tornar uma mulher.

Os laços de família

Uma história que nos revela como os laços familiares podem ser frágeis e também falsos. Depois de duas semanas visitando a filha, a narrativa começa com mãe, uma mulher severa e rígida, despedindo-se de sua filha na estação de trem.

Contudo, seguindo os pensamentos da filha, ela lembra-se como o marido e a mãe não se suportavam e viviam uma atacar o outro sutilmente durante a estadia, como também, a mãe sempre arrumava motivos para criticá-la em diversos aspectos.

Entretanto, na hora da despedida, genro e sogra passam a se tratar muito bem e despedem-se de forma calorosa e até mesmo muito amigável, como se fossem realmente entes queridos e, ao mesmo tempo em que sentia vontade de rir daquela situação, também constata que os laços familiares possuem essas falsidades que, na maioria das vezes, são fundamentais para o bom convívio entre os entes queridos.

Assim, ela á tomada por uma epifania acerca a sua vida e os seus laços familiares através da análise dessa situação. Ao voltar para casa, ainda confusa com os sentimentos que sentira durante a despedida com a mãe que, mesmo sendo distantes, pois ela era mais próxima ao pai, sentiu vontade de despedir-se calorosamente dela e chama-la de mãe, mas não o fez, a protagonista decide dar novos ares para a sua vida e levava de uma forma mais leve, decidindo-se também em mudar a forma como os laços familiares são empregados em sua casa, começando pelo filho.

A história termina com a protagonista a rir-se sozinha, o que chama a atenção do filho e do marido, já que ela sempre foi uma mulher parecida com a mãe, e ela os chama para ir ao cinema mais à noite.

Começos de uma fortuna

Esse conto é narrado por um protagonista masculino e retrata a luta por atenção, o que faz com que o protagonista seja uma pessoa obcecada por trocas. Assim, nos é revelado que desde pequeno Artur era carente de atenção e sempre fez de tudo para conseguir a atenção de outras pessoas.

Outra característica marcante dessa personagem é o fato de ele sempre querer poupar, ou seja, ser um rapaz com avarento e com opiniões formadas em relação ao dinheiro e as pessoas, em especial, as mulheres. Artur possui uma migo, o Carlinhos, que é o oposto dele e acredita que o dinheiro foi feito para ser gasto.

Em certo momento, Carlinhos convida Artur para ir ao cinema junto a duas garotas para que eles a paquerassem. A ideia de ter que pagar o cinema para a menina deixa Artur apavorado, o que faz com que ele saia apenas com o dinheiro para o seu ingresso.

Contudo, não conseguindo fugir de pagar o ingresso da garota, Artur vê-se obrigado e ter que fazer um empréstimo com o amigo, mesmo que odeie fazer empréstimos a outras pessoas e a pedir também.

Mistério em São Cristóvão

Outro conto denso e cheio de simbolismos e metáforas abstratas, onde nos é apresentado uma família constituída de avó, mãe, pai, crianças e uma filha moça.

A família em si se considera feliz e está satisfeita com a vida, com exceção da moça, que por algum motivo encontra-se infeliz e insatisfeita.

Quando todos os membros familiares vão dormir à noite, a moça fica acordada e vê três cavaleiros aproximarem-se da casa e entrarem em seu jardim para roubar uma flor.

Moça fica apavorada e começa a gritar, o que acorda a todos na casa. Todos se levantam apavorados e escutam a história da moça, contudo, acabam por duvidar daquilo o que aconteceu, pois, três homens aparecerem ali para roubar uma flor seria demasiadamente em sentido.

Contudo, acabam por acreditar nela ao observarem que o talo da flor no jardim encontra-se quebrado, o que comprova que alguém tentou colhê-la.

Isso faz com que o equilíbrio familiar seja colocado à prova e que eles tenham que lutar para vencer o medo e voltarem a vida normal, porém, a moça fica muito abalada e percebe que alguns fios de cabelos brancos surgiram em sua cabeça.

O crime do professor de matemática

Nesta narrativa, deparamo-nos com a história de um professor de matemática que vai até a parte mais alta da cidade enterrar um cachorro que encontrara morto.

Trata-se de mais um conto denso e enigmático, permeado por elementos religiosos através de símbolos e menções. O protagonista sente-se obrigado a enterrar aquele cão como compensação do abandono do seu antigo animal de estimação.

No meio desses acontecimentos, o professor divaga entre a culpa e o remorso de ter abandonado o animal que lhe tinha escolhido como dono, abandono que aconteceu sem motivo algum, apenas pelo fato de animal exigir que ele fosse humano, exigir afeto e querer sempre estar perto do seu mestre.

Assim, adentramos nos pensamentos da personagem e seguimos com ele nessa viagem da sua própria culpa e a sua inabilidade de sentir empatia e simplesmente ser uma pessoa sensível, ser humana, como a maioria das pessoas deveria ser.

O búfalo

A protagonista deste conto está passando por uma fase de abandono de relacionamento e, após o fracasso na vida amorosa por não ter sido correspondida adequadamente ou da forma como queria, decide-se por querer odiar.

Assim, ela se encaminha então até o zoológico, com a intenção de encontrar nos animais, consideradas como formas primitivas e cheias de instinto, a arte de conseguir ser uma pessoa feroz e a destruir o amor e os seus sentimentos bons para que restasse apenas ódio dentro de si.

Entretanto, sua experiência com o mundo animal mostra-se como mais um fracasso em sua vida, pois, encontra na maioria dos animais sentimentos bons e amor em muitas de suas atitudes.

É quando ela se depara com a figura do búfalo, um animal imponente que exala uma espécie de simbologia que se afeiçoava com a masculinidade do homem.

Logo, ela passa a utilizar aquele animal como uma forma de canalizar o seu ódio; porém, um misto de amor e ódio passa a dominar os seus pensamentos, fazendo com que a protagonista passe a admirar o animal e até mesmo a sentir-se atraída por ele.

Nesse misto de diversas sensações, muita delas com cunho sexual, a personagem termina a história numa espécie de êxtase sexual misturada com uma epifania, onde ela termina o conto perdendo essa batalha para o búfalo que fica a encará-la e faz com que ela desmaie no meio do zoológico, sendo que a ultima imagem que vem à cabeça da mulher é a visão de um búfalo no céu que ela avista antes de cair no chão.

Estrutura da Obra

O livro Laços de família reúne treze contos de Clarice Lispector, sendo que em sua maioria são narrados em terceira pessoa, tendo apenas um conto narrado em primeira pessoa.

Além disso, os protagonistas dos contos são femininos em sua maioria, tendo apenas três narrativas focadas em protagonistas do sexo masculino.

Em todos os contos podem ser encontrados elementos críticos acerca das imposições feitas pela sociedade em relação ao papel da mulher, contudo, essa temática encontra-se em segundo plano, pois, sem dúvidas, em primeiro plano encontra-se a temática familiar, ou seja, as dificuldades e impasses nos relacionamentos familiares.

Relevância da Obra

A obra possui uma extrema relevância devido ao fato de ela enquadrar-se na terceira fase do modernismo brasileiro, também conhecido como neomodernismo da geração de 1945.

As características mais importantes dessa escola literária, são: o emprego do fluxo de consciência, onde o narrador deixa os seus pensamentos fluírem de forma livre durante a história, sendo essa uma marca característica da escrita de Clarice Lispector; monologo interior, onde os protagonistas conversam consigo mesmo sobre os aspectos da sua vida; questões psicológicas, onde as personagens fazem uma análise profunda delas mesmas ou das suas vidas ou de quaisquer outros aspectos que as cercam; anulação de questões de tempo e espaço, sendo em sua maioria narrativas que não se preocupam com esses dois aspectos; linguagem fluída e livre, com a abolição de constrição sintáticas e pontuações exigidas pela ortografia; utilização de metalinguagem, metáforas mais complexas e símbolos; e histórias que abordam questões existenciais da condição humana.

Em Laços de Família, podemos encontrar todas essas peculiaridades, o que faz com que essa obra esteja entre os melhores escritos de Clarice Lispector e, sem dúvidas, ganhando em disparada como o melhor livro de contos dessa exímia escritora da literatura nacional.

“E os olhos do búfalo, os olhos olharam seus olhos. E uma palidez tão funda foi trocada que a mulher se entorpeceu dormente. De pé, em sono profundo. Olhos pequenos e vermelhos a olhavam. Os olhos do búfalo. A mulher tonteou surpreendida, lentamente meneava a cabeça. O búfalo calmo. Lentamente a mulher meneava a cabeça, espantada com o ódio com que o búfalo, tranquilo de ódio, a olhava. Quase inocentada, meneando uma cabeça incrédula, a boca entreaberta. Inocente, curiosa, entrando cada vez mais fundo dentro daqueles olhos que sem pressa a fitavam, ingênua, num suspiro de sono, sem querer nem poder fugir, presa ao mútuo assassinato. Presa como se sua mão se tivesse grudado para sempre ao punhal que ela mesma cravara. Presa, enquanto escorregava enfeitiçada ao longo das grades. Em tão lenta vertigem que antes do corpo baquear macio a mulher viu o céu inteiro e um búfalo.”

Boa leitura!Fonte: Canal do EnsinoPor: John LennonSão Paulo, SP, Brasil

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Cartas para Juliete

A lenda do casal apaixonado de Shakespeare atrai visitantes a Verona, na Itália, todos os anos. Todos os dias, cartas, que costumam ter como endereço simplesmente ‘Julieta, Verona’, chegam à cidade. Chegam aos montes, em quase todas as línguas possíveis e imagináveis, escritas por românticos que buscam os conselhos de Julieta. E, surpreendentemente, nenhuma fica sem resposta. Eu mesma tenho uma vontade louca de visitar Verona e vou se Deus quiser!

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Em “Cartas para Julieta”’ conta-se a história dessas cartas e dos voluntários que vêm escrevendo respostas para elas durante mais de sete décadas. O livro reconstitui a história por trás da peça de Shakespeare e leva o leitor até os monumentos que alimentaram a lenda de Julieta e seu Romeu

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Eu comecei a ler esse livro pensando que era um romance, pois assisti o filme originário do livro, mas o livro é a historia do Clube da Julieta. Desta feita, quando comecei a entender a obra e percebi à proporção que a historia de Shakespeare tomou fiquei fascinada. A linda cidade de Verona se entregou a paixão de Romeu e Julieta de uma forma tão avassaladora  que acabou passando isso para quem ouve falar sobre a cidade, lê este livro ou mesmo assiste o filme.

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O clube que responde as cartas que são destinadas a Julieta se tornou uma parte de Veneza, é encantador aprender ainda mais sobre a historia da cidade que foi palco da maior romance da humanidade, assim como da própria historia e de suas inúmeras versões.

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A maior impressão que o livro me deixou é a de que eu devo ler Romeu e Julieta muitas vezes porque sempre há algo novo nesta linda e triste historia e somente assim poderei entender porque milhares de pessoas escrevem todos os anos para Julieta em busca de amparo no amor, acreditando poder viver uma historia de amor tão intensa quanto a que teve o jovem casal. 

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Conhecer a casa de Julieta onde as pessoas deixam seus recados, seu tumulo onde é celebrado muitos casamentos e o clube, é simplesmente fascinante e encantador, só não pode ser melhor é claro, que conhecer pessoalmente esses mesmos lugares. Desejo um dia conhecer pessoalmente o que conheci tão intensamente pelo livro. 

O livro nos revela um fato que não é do conhecimento de todo mundo, em Verona a famosa Julieta de Shakespeare toma vida através de pessoas que a consideram um símbolo do amor. Centenas de pessoas vão até a cidade para visitar os pontos importantes por onde crêem que Julieta e Romeu passaram. E até o local em que ela estaria enterrada.

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Mas conforme a pesquisa elabora por essas duas irmãs, fica claro que todas esses lugares são puramente simbólicos, eles existem nos dias de hoje, porque pessoas e turistas crêem que Julieta realmente existiu e que o trágico amor se passou como é contado por Shakespeare.

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Afinal crer em algo é ter fé e esperança. Então mesmo que esse casal jamais tenha existido, ele é real para diversos indivíduos. E o amor de Julieta e Romeu, que vive através de suas secretárias tem ajudado diversos apaixonados no mundo, já que chegam cartas de todos os cantos do planeta.

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Gostei de conhecer a história por trás desse casal, porque mesmo que eu não vá a Verona visitar pessoalmente cada ponto, pude viver através das palavras de Lise e Ceil o que é estar lá e viver esses momentos.

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Hoje em dia há diversos livros inspirados em Julieta, assim, recomendo a leitura dessa obra, para as pessoas que apreciam a parte histórica desse casal clássico. Bom, eu nem preciso dizer que amei, é leve e um pouco meloso, mas história de amor romântico é assim mesmo. A leitura é agradável.

Boa leitura e boa viagem!

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Amanhecer

Sei, sei; eu já não sou mais uma mocinha, mas sim, eu leio estes livros… e adoro! E mais, assisti também os filmes, adorei!

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Amanhecer, o último livro da saga de vampiros tem seus momentos de medos e tristezas. Aqui o autor fez um final nem tão feliz, pois então, vamos encará-lo, legais como parecem ser nesta série, os vampiros são maus, mesmo mortais.

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Muito próximo do primeiro livro, este quarto é o último da saga Twilight de Stephenie Meyer. Como em todas as parcelas finais, os mistérios são revelados e as perguntas foram respondidas.

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Mas o que me fascina mesmo é como o autor descreve o mundo de Bella, agora que ela é uma vampira. Todos sabem como  os vampiros, os lobos e as bruxas são temidos, mas fica difícil vê-los tão terríveis com autores com tanta imaginação, criatividade e humor sem limites.

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Na historia, entre os vampiros, existe uma lenda, quase um mito, de uma criança nascida de uma mãe humana e um vampiro pai. Não é certo que a criança se torna, ou tão perigoso ele pode ser para o poder dos vampiros. Uma coisa é certa: a mãe sempre morre.

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E assim, Edward pede a permissão de Jacob para mudar Bella se o pior acontecer, porque Bella estava sendo muito teimosa em manter gravidez, mesmo sendo seu corpo humano fosse tão frágil para isso.

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Assumindo, no entanto, que Bella sobrevive à gravidez, e que a criança seja humana ou vampiro, esta criança terá que enfrentar outros obstáculos para sobreviver no mundo dos vampiros; a questão é: ele vai ser considerado um vicioso recém-nascido?

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E sobre os Volturi, os preservadores do segredo? Quando um vampiro perto dos Cullen virou as costas para eles e para os Volturi relatou que viu o recém-nascido, os Cullen não conseguiam entender porque todos os membros do coven desceram sobre eles. E Alice viu algo que fez correr longe…

Será o fim para dos Cullen? E será esse o fim de Bella e Edward…?

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As areias do tempo

Este livro é uma daquelas obras que ao começar, fiquei de tão entusiasmada que só parei de ler quando terminei, sem nenhum intervalo na leitura, como costumo fazer com outros livros, haja vista que leio vários ao mesmo tempo.

Esta obra magnifica tem uma precisão em suas descrições, quer seja dos personagens, quer seja das situações. Ele é simplesmente estupendo!

É a história de um fugitivo da ETA, e que no caminho encontrou umas freiras, estas o ajudaram na sua fuga. O livro é cheio de situação inesperada e com um envolvimento cada vez maior dos personagens centrais da história. Sempre que se pensa saber o desfecho esta volta a ter uma mudança súbita. Vale muito a pena ler. Eu amei, mas isso não é novidade, né!

A história deste livro se passa no período da Pós-Guerra Civil Espanhola, onde os confrontos entre o governo ditador e o povo revolucionário (os bascos) ocorrem regularmente. O povo basco é liderado por Jaime Miró, um fugitivo do governo que acima de tudo luta pelos direitos do seu povo. E o governo tem como seu principal personagem o coronel Ramon Acoca, perseguidor de Jaime Miró e seu grupo rebelde.

Nessa história também conhecemos quatros freiras que vivem no convento Cirtecense, considerado o mais rígido e inflexível, lá as freiras vivem sob os votos de pobreza, castidade e silêncio. Não podem conversar entre si e nem se olharem. Essas mulheres completamente diferentes, que estão neste local cada uma por seu motivo especifico, vivem imersas na mais completa monotonia. Tudo isso muda quando o convento é atacado por terroristas.

As quatro freiras, irmã Teresa, uma senhora de 60 anos que passou grande parte de sua vida no convento, era preterida pelos pais que apoiavam a sua irmã detentora de uma beleza imensa, enquanto Teresa era deixada de lado. A irmã Graciela, cresceu com a ausência do pai e com o desprezo da mãe, que dizia não a suportar pela semelhança que ela tinha com o pai ausente. Irmã Megan, que nunca soube quem eram seus pais, foi para o convento quando atingiu certa idade e já não conseguiria mais ser adota. E por fim irmão Lucia, filha de um mafioso italiano que foi traído e preso, em busca de vingança ela matou dois homens e estava no convento apenas para se esconder da polícia.

Agora estas mulheres se veem obrigadas a enfrentar o mundo que a tanto tempo abandonaram para viver por trás das paredes de um convento. O mundo agora apresenta mudanças significativas e já não é como elas se lembravam. Imersas nessa nova realidade assustadora elas de deparam com o bando de Jaime Miró, e com eles elas seguem em uma jornada repleta de perigos e aventuras. Em busca de refúgio e liberdade elas vão se deparar com sentimentos a muito esquecidos. E os dilemas serão constantes nessa jornada.

Não tem como não amar esses personagens que vamos conhecendo no decorrer da história. Entendemos suas lutas e seus propósitos, partilhamos seus medos e alegrias.

Com uma narrativa apaixonante repleta de ação, suspense e traição Sidney Sheldon nos conduz por uma estória de tirar o folego. Em meio a tantos personagens marcantes confesso não poder escolher um para gostar.

O desfecho é surpreendente, nem acreditei quando li as últimas páginas, terminei o livro e continuei sem acreditar, esse foi um dos livros dos Sidney que me deixou com uma das maiores ressacas literárias. Passei alguns dias pensando no desfecho da estória.

Amei o livro (como todos que li até hoje do Sheldon), superrecomendo para quem gosta do gênero. Aqueles que não leram ainda eu recomendo, desfrute da escrita magnifica desse incrível escritor.

Boa leitura!

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O Reverso da Medalha

O livro relata a história da saga de uma família que conseguiu formar uma fortuna colossal através de suas companhias em vários ramos da economia nos Estados Unidos.

Através da leitura deste livro, podemos conhecer histórias intrigantes de como a ambição, cobiça e a inveja são capazes de transformar e mudar as atitudes das pessoas para conquistar riquezas e poder. Podemos compreender o alto preço pago, inclusive com a própria vida, ao se deixar levar pelo arrogância e soberba que só uma grande fortuna é capaz de proporcionar.

Histórias que ultrapassam os limites das relações familiares e que repercutem até na economia de vários países do mundo levando-nos a uma grande reflexão sobre a autonomia econômica do poder financeiro e econômico do petróleo e do auto índice de liquidez das empresas bélicas que se beneficiam com guerras e morte ao redor do mundo.

Sem dúvida, podemos tirar uma grande lição de como aprender de forma intuitiva e prazerosa ao passar pelas páginas desse romance fantástico que mistura realidade e ficção a ponto de deixar o leitor sempre atento para verificar o destino de uma senhora ambiciosa que é capaz de sacrificar o próprio filho para centralizar suas riquezas, uma neta também arteira e mau-caráter que entre tantos desmandes e armações conseguem a maioria de seus objetivos financeiros.

O outro lado da história também nos mostra que apesar de possuir grande riqueza é possível ser do bem e que elementos como mau-caráter, ambição e cobiça não têm nada a ver com bens materiais como nos mostra outros integrantes da família que é capaz de dar sustentação ao seu patrimônio com competência e honestidade sem usar de meios escusos e ordinários.

Essa é realmente uma história que todos irão se apaixonar. Você encontrará sedução, astúcia e suspense que só um grande autor poderia fazer.

Amei o livro!

Um dos melhores livros de Sidney Sheldon.

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Tocaia Grande: a face obscura

Que livro sensacional, este livro espetacular conta a criação e evolução de uma cidade em um ambiente grosseiro e rude das roças de cacau no sul da Bahia. Obra publicada em 1984, Tocaia Grande retrata o processo de formação de uma cidade nordestina, nascida sob a violência e a disputa de terras, em inícios do século XX.

A história começa após o jagunço Natário da Fonseca liderar e vencer uma tocaia contra um desafeto de seu patrão, desta feita, recebe como recompensa pelo bom trabalho alguns alqueires próximos ao conflito, onde passa a cultivar cacau.

Com a chegada de comerciantes, tropeiros, prostitutas e ex-escravos o lugar tem vida e cria seus contornos, assim, surge Tocaia Grande, que por sinal é muito belo e cultivável.

Os personagens são independentes, fortes e solitários, são como uma família. Desses personagens podemos destacar a cafetina Jacinta Coroca; o comerciante libanês Fadul Abdala, o negro Castor Abduim, conhecido como Tição Aceso, e outros personagens igualmente interessantes, que encontraram em Tocaia Grande refúgio, conforto, amizade e um lugar para chamar de seu. .

Com uma prosa leve e bom humor, o autor relata os laços de afeto e a união profunda que se desenvolvem entre os novos habitantes de Tocaia Grande, e que serão os pioneiros pelo crescimento do povoado e por sua resistência ao poder político-econômico e a pressão da igreja para que se enquadrassem no sistema coronelista da época.

Tocaia Grande é o retrato verdadeiro das cidades do interior nordestino construída a base da violência e do cultivo do cacau; construída por pessoas que fogem da crueldade dos criminosos e da seca. Neste contexto, a imoralidade foi a base para o desenvolvimento da cidade. O que era um lugar para passar a noite e desfruto sexual, se desenvolve em um local de sucesso garantido apenas pelos comerciantes, com intensa produção de alimentos e meretrizes de qualidade.

Dessa forma, os novos habitantes buscam sobrevivência e crescimento em um lugarejo acolhedor, transformando o local de busca de prazeres fogosos para empreendimento de sucesso e desenvolvimento, mesmo que rudimentar.

Tocaia Grande é uma história de amor e ódio, guerra e paz e vida e morte. Tem muito sexo, tem muito sangue, muita tristezas e grandes alegrias. Ler Tocaia Grande me fez rir e chorar, um livro obrigatório, com certeza.

Altamente recomendo!

 

Cinco Minutos

O livro conta a história do casamento do autor com Carlota. É isso mesmo, o autor casa-se com Carlota e narra a história. É uma “coisa” meio maluca, para nós leitores, parece que está lendo uma história que não é para ele, já que o autor, o digníssimo José de Alencar se dirige textualmente a uma prima.

Nós leitores nesta narração somos uma terceira pessoa, ficamos entre a tal prima e Alencar. Entretanto, Alencar tenta ao mesmo tempo nos levar a refletir que tudo é imaginário e que tudo faz parte das fantasias dele, desta feita o autor narra os fatos verídicos daquela época, acontecimentos reais que marcaram o Rio de Janeiro no começo do século.

Ele é tão minucioso em narrar os acontecimentos até situa horários e datas. Hoje a história desse autor romântico é percebida quase ingênuas e infantis para nós leitores modernos. Bom, é o que eu observo. Pode ser que você veja de forma diferente.

A narrativa sobre o amor sempre vence, são decisões passionais dos amantes, aquela “melação” romântica. Na época, os periódicos eram lidos pelas senhoras burguesas.

Em meu ponto de vista exagerado, é possível dizer que o autor nos faz lembrar, os romances tipo: Julia, Fascinação e outros livrinhos adocicados que embalam os sonhos das adolescentes e das mulheres solteiras, porém, a linguagem, a escrita e seu estilo são de extrema e rara qualidade. Nesse quesito não há o que discutir.

Não sei se você, caro leitor sabe, mas foi esse autor fantástico que se dissociou da forma portuguesa de escrita para inaugurar definitivamente o texto nosso, brasileiro. E não é só isso, este livro e A Viuvinha retratam a vida burguesa; não me lembro se falei isso na resenha A viuvinha, se não falei, faço isso agora, ok.

Enfim, as personagens são personagens que, retratam o ideal da vida burguesa, reproduzida na nossa Corte. Aqui no livro Cinco Minutos, o narrador-personagem encontra-se disponível, no livro inteiro, desde o início até o fim, satisfazendo assim sua imaginação caprichosa. Se eu recomendo, claro, né!

Recomendadíssimo!

 

A Outra Face

Judd Stevens é um psicanalista que vê sua rotina tranquila ser transformada quando seus conhecidos e pacientes aparecem mortos misteriosamente. O problema é que ele é a única ligação entre as vítimas.
O que está acontecendo? Será que alguém está tramando para ele, seria obra de algum de seus pacientes? Existem vários suspeitos e entre estes estão uma atriz decadente e ninfomaníaca, um pai de família com tendências homossexuais, um empresário neurótico e uma jovem misteriosa e encantadora. Mas o que Dr. Stevens não percebe é que o assassino pode estar mais perto do que ele imagina, pode ser ele mesmo.
Essa é mais uma incrível história de Sidney Sheldon, eu já li vários livros dele e são muito bons, principalmente para quem gosta de suspense. É o tipo de livro que você fica doido para saber o final, fica querendo saber quem matou quem, quem é o assassino.
O livro conta a história de um médico bem-sucedido, Judd Stevens, que de uma hora para outra, se vê como o principal ponto em comum entre os assassinatos e como ele estava ligado de alguma forma com estas mortes. O suspense é tão bem tramado que o leitor acaba desconfiando de todos os personagens até do próprio médico. O livro é incrível e o final surpreendente, como em todos os livros do autor!
 

A Bíblia 

Já li a Bíblia quatro vezes e de todas formas, até de trás para a frente, mas gosto mais de ler de forma corrida, ou seja, do início em diante. Em nossa época atual em que nós discutimos ética, moral, faturamento comercial, avanço tecnológico e conhecimento entre outros, temos ciência que tudo isso não é o suficiente para nos trazer harmonia, paz e segurança. Mas isto não é verdade, pelo menos não comigo, diante disso e das diversas vezes que li este grandioso livro fiz algumas considerações.
Assim, o amor e a esperança mesmo diante de tanta aflições e conturbação resistem nas suas mais variadas expressões, seja pela compaixão tão ditas por Jesus, seja pela compreensão e amizade, nas relações amorosas e principalmente no amor ao próximo de forma incondicional. Tudo o que Jesus nos ensinou, amando, perdoando e procurando entender o nosso semelhante, este o alicerce que nos torna mais tolerantes. Bom, eu vivo tentando.
Desta forma, podemos observar que através dos séculos, de várias religiões, estas tomam como princípio básico os ensinamentos bíblicos, que por seus livros nos ajudam a entender um pouco mais a dimensão do amor de Deus. A obra relata não só o amor de Deus, mas fatos históricos como guerras, romances, intrigas, intolerâncias, lealdade, perseverança, traições, esperança e vitória.
E assim, tiramos várias conclusões, mais uma é invariável, a de que a bíblia vem resistindo a séculos e cada década toma mais força, deixando claro que não importa o período da história em que foi escrita, ela será sempre atual.
Podemos também observar que A Bíblia também está presente quando discutimos política, entre os amigos, dificilmente nos damos conta que a primeira legislação começou com Moisés por intermédio de suas leis. Quando queremos aprender a conviver melhor com os desafetos, basta consultar os Evangelhos do Novo Testamento para compreender a máxima do perdão. Quando é preciso ter esperanças, pode-se pesquisar as promessas de Cristo para um mundo melhor.
Enfim, mesmo com raciocino lógico e prático que a vida diária impõe, é possível manter a fé inabalável e incondicional no Criador, para isso, não precisa procurar por citações miraculosas. Diante de obra tão rica de conhecimentos, pode-se alcançar paz interior, fé, ética, sensatez. deixando claro que não importa o período da história em que foi escrita pois está sempre atual. Quando discutimos política nas rodas de amigos, dificilmente nos damos conta que a primeira legislação começou com Moisés por intermédio de suas leis. Quando queremos aprender a conviver melhor com os desafetos, basta consultar os Evangelhos do Novo Testamento para compreender a máxima do perdão. Quando é preciso ter esperanças, pode-se pesquisar as promessas de Cristo para um mundo melhor.
Enfim, mesmo com raciocino lógico e prático que a vida diária nos impõe, é possível manter a fé inabalável e incondicional no Criador, para isso, não precisa procurar por citações miraculosas. Diante de obra tão rica de conhecimentos, pode-se alcançar paz interior, fé, ética, sensatez para uma vida plena e feliz, o difícil é sabe como. Principalmente para pessoas como eu, pouco favorecida em assuntos espiritualizados.
Leitura altamente recomendável em tempos tão terríveis e sombrios como estes que estamos vivendo.