Antígona por Sófocles

Antígona, livro maravilhoso que tive o prazer de ler. Retrata a valentia de uma mulher que abalou uma tirania. Antígona, famosa tragédia grega, uma aventura de dignidade, lealdade, vida e linguagem.

Uma peça de fortes contrastes, é uma das mais célebres tragédias gregas. Como e onde encontrar coragem, forças e ousadia para derrubar um tirano quando cidadãos respeitáveis se calam? Sófocles coloca em cena uma mulher guerreira, sem exército, sem partidários, sem absolutamente nada.

Ela, Antígona consegue abalar a tirania sozinha. E tudo isso numa época em que a sociedade e a vida pública era de exclusiva competência masculina. Aqui preserve-se a ambiguidade. O homem sempre foi terrível na virtude e no crime, na opressão, nas atitudes intempestivas, nos pensamentos e, sobretudo na luta pela liberdade. Porém, nesse ato, Antígona é a principal peça do tabuleiro.

Expendido!

Relutei em ler Antígona por ser uma peça escrita em teatro e, bem, não tive muitas experiências com livros nesse formato (teatro), exceto com “O Alto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente, mas quando comecei a ler não consegui parar. Li feito uma alucinada. A leitura foi tranquila, muito agradável, apesar de ser uma obra antiga, a escrita não é tão rebuscada como imaginava.

Como sou estudante de Direito, além de ser uma leitura agradável, foi de muito valiosa, haja vista que a obra retrata os costumes da Grécia Antiga, as oposições de jus positivismo e do jus naturalismo. Quem é da área jurídica sabe disso, creio eu.

Outra coisa, quando você for ler, tenha em mente que é uma obra grega e isso sempre nos remete a tragédias. Portanto, não espere finais felizes, quase nunca tem, eu acho, não li todas as tragédias, então não posso afirmar. Vai que tenha alguma com final feliz.

Altamente recomendável! Extremante envolvente, uma leitura rápida; mesmo a linguagem seja rebuscada (obviamente), porém, assim que você passa das primeiras páginas, lê-se com tamanha naturalidade como qualquer outro livro de literatura atual.

Considero como leitura “obrigatória” para os amantes da mitologia grega e mesmo aqueles que não amam tanto essa mitologia, mas a todos que querem turbinar sua cultura literária. Vale muito a pena.

Nesta obra é evidente e clara que as leis humanas ao se sobrepor as leis divinas transformam toda a realidade para o terror. Nossa heroína, Antígona, filha e irmã de Édipo, quando tentou fazer justiça, ao dar as devidas cerimônias ao irmão falecido foi condenada por Creonte, seu sogro, à pena capital, ou seja, a morte.

Mesmo com conselhos, Creonte, cego por sua justiça torta e muito questionável, não percebeu que daquele momento surgiu o seu piore tormento: seu filho, Hemon, atraído de Antígona, que se suicida, por perder sua amada.

O que nos faz refletir que a “justiça” humana, quando limitada na sua ignorância, e quando ultrapassa a justiça divina, sofre duras consequências. Devemos essa “justiça” humana a nossa trágica realidade atual.

Livro excelente, sem a menor sobra de dúvida!

Boa leitura!

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