A Utopia

Fiquei um bom tempo procurando este livro, sempre ouvia alguém comentar sobre a “A Utopia”, de Thomas More, a maioria das pessoas diziam adorar o livro, devido a estes comentários, levada pela curiosidade, iniciei a leitura com entusiasmo.

Entretanto, meu entusiasmo durou pouco, pois acabei não me simpatizando com o livro, não sei dizer o que aconteceu, mas não gostei, enfim, é a vida, uns a gente gosta e outros não, porém sempre aprendemos algo com eles, sejam eles famosos como A Utopia ou não. Provavelmente não entendi a obra, ou foi a época, talvez seja a minha pouco compreensão de um escrito tão complexo, vai saber…

A Utopia de Morus é uma ilha afastada do continente europeu, Rafael Hitlodeu não diz com convicção em que oceano ela fica, apenas diz que foi parar lá depois de embarcar numa das viagens de Américo Vespúcio, e voltou depois. Essa Ilha de Utopia, como já diz a expressão criada pelo autor, abarca a sociedade ideal, inatingível, que traduz um estado de bem-estar dos seres humanos.

O livro, dá significado para o termo usado como título, fazendo certo tom irônico ao descrever a ilha. A capital, Amaurotum que significa “cidade do sonho”, é banhada pelo rio Anidro, rio sem água, seus cidadãos são alopolitas “cidadãos sem cidades”, governados pelo príncipe Ademos “aquele que não tem povo”, e seus vizinhos são os Achorianos “homens sem país”.

A admiração de Thomas Morus por Platão certamente o fez ter certa inspiração para A Utopia da República. Assim como na República o livro se passa na forma de um diálogo, na Utopia Morus trabalha com a mesma questão.

A ilha de Utopia tem 54 cidades, estas sendo grandes e magníficas, e dentro destas todos falam a mesma língua e respeitam as mesmas leis. A sociedade ideal tem sempre a denominação exata, tanto no que tange a população e extensão territorial.

A Utopia corresponde-se a uma grande família, pelo fato de tudo que for produzido é igualmente dividido entre todos que compõem a sociedade, dessa maneira inexistem assaltantes e mendigos.

A extrema discussão se volta para a crítica social de Morus em torno da abolição da propriedade privada. Adverte que a igualdade seria impossível com a propriedade privada, por isso nesta existe a comunhão de bens, “[…] o solo é visto como terra a ser cultivada, e não como propriedade” (MORUS, 1993, p. 65). Na República de Platão, os cidadãos adotavam um regime de comunhão de bens. Morus é considerado para alguns como sendo um dos fundadores do socialismo.

Cada casa tem uma porta principal que dá para a rua, e uma porta dos fundos que dá para o jardim. Nenhuma dessas portas é fechada a chave, abrindo-se a um simples toque e fechando automaticamente após a saída de alguém. Assim, todos podem entrar e sair, pois ali inexiste a propriedade privada. (MORUS, 1993, p. 70).

Contando registros históricos da cidade, estes cobrem um período de mil setecentos e sessenta anos, desde a conquista até os dias que segue, a cidade é governada por um príncipe. Esse príncipe conserva o cargo por toda a vida, os utopianos além de agricultores, todos aprendem determinados ofícios, dessa maneira, os utopianos são tecelões, pedreiros, oleiros e carpinteiros.

As mulheres trabalham nos serviços mais leves, como a tecelagem. As casas podem abrigar um mínimo de quarenta adultos, mais dois escravos presos a terra. As roupas são produzidas por eles mesmos, todos se utilizam da mesma peça de roupa poucas coisas distinguem as mulheres dos homens, casados e solteiros, as roupas permitem uma grande liberdade para o corpo, deixando inteiramente à vontade, sendo tanto adequado ao verão como ao inverno.

Na ilha de Utopia apenas seis horas são dedicadas ao trabalho, três horas de serviço pela manhã, almoço, duas horas de repouso, mais três horas de trabalho à tarde, e daí pôr fim a ceia, os utopianos vão para a cama às oito horas da noite, consequentemente dormem oito horas.

Durante o tempo que resta de liberdade, é dedicado ao que quiserem fazer por bem desde que não se entreguem a ociosidade, grande parte usa esse tempo para aperfeiçoar a sua educação, pelo fato de existir muitos cursos públicos, que antes do nascer do sol já tem início, e o melhor disso é que a responsabilidade é de quem frequenta, pois, o comparecimento é voluntário.

Consumo da alimentação é rigorosamente cuidado pelas autoridades de cada cidade, a produção acaba sendo sempre tão farta que muitas vezes são divididas entre as outras cidades.

[…] no caso do ser humano, a razão é a vaidade, a ideia de que se é melhor do que os outros quando se pode ostentar grandes propriedades e todo o tipo de luxo supérfluo. Esse tipo de coisa, porém, não acontece em Utopia. (MORUS, 1993, p. 82).

Na Utopia não usam dinheiro, apenas no caso de uma eventual necessidade. Existem hospitais e médicos, apesar destes serem muito pouco procurados, pois todos são incontestavelmente saudáveis. Até mesmo os mendigos são robustos e saudáveis, estes que se fazem passar por doentes para não trabalhar.

Em Utopia ouro e prata não se produzem o mesmo sentimento de posse, ou de qualidade, que se encontram nas sociedades, são plenamente desprezíveis.

[…] usam correntes e grilhões de ouro para prender os escravos, e todos os que praticam crimes realmente graves são forçados a usar anéis de ouro nas orelhas e nos dedos, um colar de ouro no pescoço e até uma coroa de ouro na cabeça. Na verdade, fazem o possível para tornar esses metais desprezíveis. (MORUS, 1993, p. 92).

Não a espaço para as pessoas em torno do ócio, sempre a trabalho, suas vaidades dessa maneira devem ser preservadas, pois em Utopia “[…] não existem tavernas, cervejarias, bordéis, oportunidades para a sedução ou lugares propícios aos encontros secretos”. (MORUS, 1993, p. 88).

A razão nos ensina, primeiro, o amor e a reverencia diante de Deus todo-poderoso, a quem devemos a existência e a possibilidade de alcançar a felicidade; e, em segundo lugar, ensina-nos a passar pela vida com o máximo de conforto e alegria, e a contribuir para com os nossos semelhantes tenham igual destino. (MORUS, 1993, p. 100).

Morus relata a sociedade perfeita, em uma visão mais próxima disso, assim como Campanella e o próprio Platão, todos temos a sociedade perfeita que queríamos ao menos que se efetivasse de forma a dar segurança, liberdade, respeito, que pudesse protelar por um futuro mais justo e de qualidades identificáveis com os desejos dos cidadãos.

Entretanto, se observar a obra com mais cautela podemos observas as divergências, tais como: na ilha não há espaço para as pessoas em torno do ócio, sempre a trabalho…então como se explica mendigos, haja vista que estes não são dados ao trabalho….

De qualquer modo é um livro como o próprio nome diz, utópico…nada do que o autor idealiza existe de fato, é só uma fantasia…. é um livro para sonhar, fantasia…

Bom, eu ao ler a obra, cai no real mesmo, não sou muito dada a utopias, talvez seja esse o motivo de não ter gostado…

Porém, recomendo…afinal, é bom sair um pouco da realidade!

Boa leitura!

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