A Revolução dos Bichos por George Orwell

Nesta fábula, como na História, vemos que ninguém jamais toma o poder com a intenção de largá-lo. O poder não é um meio, é um fim em si.

Não gostei desse livro, provavelmente eu não entendi o enredo, não era a época, ou ainda pode ser por que amo os animais e não consigo vê-los como seres raivosos e traiçoeiros, não sei, mas não gostei.

Um clássico moderno, escrito por um influente escritor do século XX, o livro é uma fábula sobre o poder. Narra a revolta dos animais de uma granja contra seus donos e conforme vai progredindo, a revolução se transforma numa tirania mais opressiva que a dos humanos.

Obra escrita no meio da Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945, essa narrativa causou desconforto ao satirizar a ditadura stalinista na época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.

O fato, é que com o acirramento da Guerra Fria, a obra passou a ser amplamente usada pelo Ocidente nas décadas seguintes como arma ideológica contra o comunismo.

Em meu ponto de vista é chato e desagradável que o escritor, tenha usado os animais como personagens para fazer esse retrato cruel da humanidade. Entendo que de certa maneira, a inteligência política que humaniza os bichos é a mesma que animaliza os homens.

Escrito com maestria, com domínio da narrativa, com muita atenção às minúcias e extraordinária capacidade de criação de situações e personagens, a obra combina de forma feliz duas ricas tradições literárias: das fábulas morais, que relembra a Esopo, e a sátira política, que teve tem Jonathan Swift seu representante máximo, creio eu.

A Revolução dos Bichos, escrito na época da Segunda Guerra Mundial, ataca de forma alegórica o modelo soviético sob a ditadura de Stalin. Dessa maneira, cria-se um retrato muito fiel, por meio dos bichos, do que ocorre de fato na tentativa de implantar o comunismo. Um leitor distraído pode pensar que se trata de um livro infantil. Eis a história:

Tudo começa quando os animais, cansados de serem explorados pelos donos, ouvem um discurso de um velho porco, Major. A turba se encanta com suas palavras, as quais, não haveria mais exploração, nem escassez de comida e todos os ideais igualitários, que se sabe das teorias socialistas.

Nesse ponto, vemos que os ideais igualitários sempre conquistam muitos adeptos, principalmente os que vivem explorados, sem instruções, que aceitam as falácias de outrem, que expõe seus grandes sonhos.

O poder não é um meio, é um fim em si. Não se estabelece uma ditadura com o fito de salvaguardar uma revolução; faz-se a revolução para estabelecer a ditadura (ORWELL, 2009, p. 254). Após conseguirem a revolução, e expulsarem os homens, o porco Napoleão, o Stalin do livro, assume o poder e expulsa Bola-de-Neve, que representa Trotsky.

O autor não esquece nenhum pormenor, poupando complexidade, Lênin não entra na história, mas não se esquece das músicas, das manipulações estatísticas dos resultados, da exploração, da desigualdade entre os que mandam e os que obedecem, dos mandamentos que todos devem seguir etc.

Vale dizer, que o livro foi publicado muito antes de Nikita Khrushchev desmascarasse o facínora Stalin, cujo processo ficou conhecido como desestabilização.

A história do livro e principalmente a história mundial, nos mostra que homens e porcos ficam indistinguíveis. Com a capa do igualitarismo, criaturas corruptas vão enganando os trabalhadores com promessas de igualdade e fraternidade, todavia quando chegam no poder, essa capa cai e comprovamos que todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros. (ORWELL, 2010, p. 90)

Boa leitura!

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