A Queda: as últimas horas de Hitler, Traudl Junge

Leitura impactante e polêmica, este livro causou rumores ao retratar o ditador nazista, Adolf Hitler, com sua ternura, suas convicções, suas angústias, e seu despotismo próprios do ser humano. O autor causou imenso impacto ao entrar em um mundo de adoração cega a uma ideologia e temor que definiu a barbárie no século XX.

Assim, Traudl é escolhida em 1942, para ser sua secretária depois de uma entrevista com o dirigente do Reich. Com o passar dos anos em 1945, o exército alemão sofrendo com as investidas soviéticas, o ditador Adolf Hitler mergulha em um processo de ufanismo e delírio dos valores germânicos. Neste período seus generais preocupados com o avanço das forças comunistas de Moscou, começam a contestar as ordens de seu líder.

Sua secretaria Traudl, observa o mundo disciplina e poderoso do Reich ser abalado cada vez com mais forte até a sua ruína completa com a invasão de Berlim pela URSS.

A obra A Queda – As Últimas Horas de Hitler é denso que provoca questões cruciais e dilacerantes. Como pôde uma nação deixar-se conduzir a extremos tão bárbaros? Qual foi a argumenção tão forte e a rigidez de ações que fomentaram tal apego a uma devoção cega e a um auto sacrifício tão intenso?

É notório a insensatez coletiva que produziu o suicídio em massa após a derrocada do regime nazista. A certeza da vitória e das ideias divulgadas pelo Führer sustentavam a confiança dos alemães nos combates extenuantes em defesa do solo germânico. Porém, a superioridade bélica do adversário e a perda gradativa de pontos estratégicos fizeram com que muitos generais evadissem de Berlim e outros seguissem o líder no gesto capital do suicídio.

Nesse interim Hitler mergulha em um processo de degeneração psicológica, e com a morte dele e de Eva Braun sua prima e amante, a organização nazista se desestrutura até a derrocada definitiva com as prisões, julgamentos e condenações principalmente em Nuremberg.

A obra mostra com brilhantismo como a cegueira coletiva gera monstros, e torna aceitável uma ideologia baseada na violência, na racionalização extrema dos atos humanos, no discurso de superioridade e na razão instrumental como conceituaram os pensadores da Escola de Frankfurt, especialmente Max Horkheimer e T.W. Adorno.

Traudl é uma jovem que foi jogada no “olho do furacão”, defendeu seu líder, mas não conheceu sua verdadeira face cruel. No fim do período nazista, Traudl, a secretária leal, é apenas mais uma sobrevivente que escapou do ódio, da ideia totalitária da “raça perfeita” e da morte. Uma sobrevivente que compactou com a “beleza e retórica do discurso”, no entanto não detectou a loucura impregnada na composição da trajetória nazista pela Europa de meados do século XX, nem a perfidiosidade dos atos ou os campos de extermínio,

Toda essa aberração da conduta humana não passou de uma crueldade inclassificável. No entanto, o percurso se baseou na racionalização, na lógica que usufruiu da técnica para impor uma dominação sem precedente e sem falhas.

De tudo que se seguiu, nos dizeres do sociólogo polonês Zygmunt Bauman em “Modernidade e Holocausto”, “A razão dos meios chega ao auge triunfante quando os fins desaparecem pouco a pouco na areia movediça da solução de problemas”. A Queda é um livro que não deixa de ter um caráter de registro e um forte significado de alerta que infelizmente aconteceu na história humana e deixou um rastro de sangue e destruição eterna no coração da humanidade.

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Boa leitura!

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