A Paixão no Banco dos Réus por Luiza Nagib Eluf

Este livro trata de crimes passionais que ocorreram no Brasil, alguns mais recentes e outros nem tanto, tais como Guilherme de Pádua, Paula Thomás e Daniella Perez, Doca Street e Ângela Diniz, Castilho e Eliane de Grammont, Euclides da Cunha, Anna e Dilermando de Assis, e infelizmente muitos outros.

São narrados os homicídios e as soluções que foram dadas pela Justiça, esta algumas vezes puniu e outras perdoou os autores dos crimes. O livro também apresenta as teses mais usual pela defesa e pela acusação em plenário do Júri, haja vista que os crimes são de competência do Júri, sendo estes contra a vida.

O objetivo da obra é mostrar que o amor verdadeiro não leva ao crime e que a legítima defesa da honra não pode mais ser utilizada como justificativa para um assassinato, para a violência contra a mulher ou quem quer que seja.

Entretanto, nesta obra, a autora faz uma vasta análise sobre os assassinatos contra a mulher e se baseia em sua experiência como promotora e procuradora de Justiça.

No livro A Paixão no Banco dos Réus, a autora relata sua vasta experiência com os casos de crimes passionais contra mulheres, o chamado feminicídio, que significa a perseguição e morte intencional de pessoas do sexo feminino, classificado como um crime hediondo no Brasil e que infelizmente vem crescendo de forma alarmante.

Este é um livro explicativo, na obra, a autora acentua o porquê de os homens matarem suas companheiras e também ensina a decifrar os sinais de violência antes que ela aconteça. A autora relata que esses crimes são produtos da nossa sociedade, e pior ainda da justiça do nosso país que perdoa mais homens do que os pune, ou seja, somos uma sociedade machista apesar de termos evoluídos bastante.

A narrativa explica que a possessão e a dominação não têm nada a ver com amor, e sim uma não aceitação a rejeição da parceira, lembrando que para se matar, é preciso primeiro desenvolver o sentimento de ódio pela pessoa, portanto, SE VOCÊ AMA NÃO MATA!

Quando nós amamos alguém, queremos que a pessoa viva e seja feliz; a violência é uma desculpa para o nosso egoísmo e nossa ignorância. Isso é a minha posição diante do tema em questão.

A autora acentua que esse tipo de violência é tipicamente masculino, sendo a minoria dos casos cometidos por mulheres, mesmo porque se fosse cometido por mulheres não seria feminicídio.

A justificava é pelo fato do homem ter um sentimento de posse em relação a companheira, presumindo que ela lhe deve alguma obrigação, para estes homens, a mulher é sua propriedade e não sua companheira. É evidente que esse pensamento é retrogrado, pois desde 1988 a mulher igualou-se ao homem perante a lei.

Outro viés é que a mulher submissa se torna vulnerável ao crime passional além de sofrer violência doméstica como estrupo e espancamento.

Na maioria dos casos os homens homicidas têm mais de 30 anos, e é nessa idade que costumam ficar mais inseguros em relação a parceira, principalmente se ela for mais jovem do que ele.

A autora explica ainda, que eles matam suas mulheres para se sentirem auto afirmados e se sentirem “honrados”, segundo ela, os homens homicidas não admitem a traição, só eles podem trair, elas não.

Por fim, para a autora, o crime passional só cessará quando os homens reconhecerem que as mulheres são seres humanos dignos de respeito e têm os mesmos direitos que eles e que não somos seres inferiores, somos apenas diferentes biologicamente.

Quanto a mim, acredito que esse tipo de crime só terá fim quando tivermos uma sociedade educada, pois a falta de instrução leva-nos a selvageria. Também acredito que nós mulheres temos parte nessa violência, haja vista que aceitamos toda “sorte” de desrespeito em nome do “amor” e da dependência financeira. Usamos estes subterfúgios como desculpas para nos acomodarmos e não irmos à luta pela nossa independência.

Em meu ponto de vista, infelizmente a mulher é a maior cúmplice, senão a maior culpada nesse ato de violência, pois ela protela seu sofrimento querendo acreditar que seu companheiro vai mudar, vai melhorar e isso é uma utopia, ninguém muda, só aperfeiçoa aquilo que é…se é bom, fica melhor com a maturidade, se é ruim, idem.

Para mim, essas mulheres caminham como ovelhas para o matadouro, a diferença é que as ovelhas não têm escolha e as mulheres sim, só que preferem a morte.

Leitura altamente recomendável!

Boa leitura!

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