A morte e a vida

Logo no inicio da narrativa, o leitor já percebe que o tema é polêmico e que trata-se de eutanásia, não pelo título, que de certa forma é sugestivo, mas sim pela narração da própria paciente.

Tudo começa com a história de uma enfermeira, Vilma, solteira e totalmente dedicada à sua carreira no Hospital São Damião, este dirigido pelo diretor Cândido, amigo da família, seu ex-professor e seu admirador.

Entre os pacientes da enfermeira Vilma, encontra-se Maria Emília, ela está em estado terminal por possuir um tumor cerebral. Maria Emília é casada com Edmundo, este não se dá bem com sua sogra, Dona Olga, principalmente devido à ideia que ele possui de praticar a eutanásia na sua mulher, devido ao estado terminal dela. Dona Olga não concorda, pois tem esperança de que sua filha seja curada.

Vilma apesar de tentar manter seu profissionalismo, se envolvendo amorosamente com Edmundo. Durante os encontros com Vilma, Edmundo sugere a Vilma que o apoie no seu intento de desligar os aparelhos e ir diminuindo os medicamentos de sua esposa, com o objetivo de apressar sua morte inevitável e diminuir o sofrimento dela e de todos.

O livro possui três pontos narrativo: um narrador que narra a história e não participa diretamente dela e dois personagens narradores que participam da trama, descrevendo suas impressões particulares.

A própria paciente Maria Emília começa a narrar a trama, em estado de semiconsciência, ela narra suas sensações e percepções do mundo, através de seus pensamento e lembranças, a paciente também faz considerações sobre as pessoas e a sua própria situação. Esta parte acho muito interessante, pois é a própria pessoa-personagem que fala sobre si mesma, não é através do outro, é o próprio ser vivendo e narrando sua condição.

A enfermeira, protagonista da história, nos mostra o ponto de vista das profissionais de saúde. Ela é uma típica enfermeira, centrada basicamente no trabalho, buscando incessantemente não misturar vida profissional com viva pessoal, tarefa nem sempre fácil de administrar.

Ela nos apresenta um panorama da vida difícil de quem trata de saúde, principalmente com pacientes terminais. De um lado, o livro mostra o cotidiano dos profissionais da saúde e a constante batalha entre a vida e a morte, de um outro lado mostra que estes profissionais também tem uma vida particular como qualquer outra pessoa.

O autor deu plena abertura a um diálogo polêmico sobre a eutanásia. Esse diálogo inicia-se na escolha dos três narradores, portanto, três pontos de vista, três versões do mesmo do mesmo fato.

O escritor procurou construir um texto que mostra os seres humanos em situações-limites, nos quais nem sempre estamos preparados, isso significa que dependendo da situação que vivemos nunca teremos certeza do passo a ser tomado.

A obra ressalva um caráter sociológico polemizando a prática da eutanásia, o autor trabalha com inteligência a questão, descrevendo todas as partes envolvidas: os profissionais de saúde envolvidos, os parentes do paciente e o paciente, na forma de seus pensamentos e lembranças.

A morte e a vida nos colocam diante da deterioração das relações e com isso nos obriga a fazer uma reflexão quanto ao sentido da vida que constitui um questionamento filosófico acerca do propósito e significado da existência humana e a repensar nossos conceitos sobre certos tabus.

Obra altamente recomendável!

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