A Cor Púrpura por Alice Walker

A história se passa no início do século passado e conta sobre a vida de Celie, uma jovem negra americana, frequentemente estuprada pelo pai, com quem teve dois filhos, e dos quais foi cruelmente separada.

O romance é contado em sua maior parte através das cartas que Celie escrevia para Deus e depois para Nettie, sua irmã que era missionária na África, a única pessoa que amava em sua vida, e com quem tinha sido feliz, apesar de tudo.

Celie foi dada em casamento para um senhor viúvo, que tinha três filhos, e que a tratava como uma escrava, pois era justamente o que queria e precisava quando se casou com ela.

Afastada da irmã, que tanto amava e apanhando constantemente Celie foi se tornando uma pessoa cada vez mais cautelosa e calada, trabalhando arduamente e falando muito pouco. Até que seu marido leva para casa sua amante adoentada, Doci Avery, para que Celie cuide dela.


Foi aí que sua vida mudou completamente, pois é com Avery que Celie tem o maior envolvimento emocional de sua vida, de maneira que a amizade se torna uma verdadeira paixão, e Celie pode revelar seu espírito brilhante e tomar conhecimento do mundo ao seu redor.

A obra é um romance belíssimo e muito triste, que fala sobre a discriminação feminina, sobre a força do amor, sobre coragem, pobreza principalmente sobre a vida.

A Cor Púrpura são as cores das flores que cobrem os campos da Geórgia nos Estados Unidos e são testemunhas que participam da vida sofrida das duas irmãs Celie e Nettie. Pois a púrpura também é a cor da pancada na pele.

Em A Cor Púrpura, somos envolvidos no mundo de Celie, jovem abusada e vendida pelo pai, depois afastada dos dois filhos, casada com um homem bruto. Uma triste história, sobre o percurso da vida miserável de uma mulher e de um tempo que o racismo era impune, nos EUA do começo do século XX.

Celie casa-se pela conveniência do pai, com um homem que acredita que a melhor maneira de se conviver com uma mulher é sob pancada. E não só porque durante toda a sua vida lhe disseram que seu sorriso é o mais feio do mundo, mas porque ela se torna uma mulher que acredita que a beleza e felicidade são alcançáveis apenas para uma mulher, a cantora Shug Avery: a única pessoa a qual seu marido amou. Mas, a pessoa que fará Celie reconhecer o amor.

Penso que um dos melhores momentos do livro é quando Shug estimula Celie a sorrir novamente, como se a partir daquele momento uma outra mulher começasse a surgir em seu corpo, a mulher que iria em busca de sua emancipação, de sua felicidade, pois Celie por muito tempo viveu afastada da irmã, Nettie, esperando por cartas que nunca chegavam. Nettie era sua única parte de felicidade, antes de aprender a sorrir para a vida ela só tinha sorrido para a irmã. Mas ela vai embora, sendo expelida pelos desejos sexuais de Mister Albert.

Nettie segue um novo caminho, mas não aberta para as exigências desse mundo machista e racista. Junto a missionários ela descobre à África. Um dos caminhos do destino que é o final feliz para a família. Mas sem esquecer que Celie é abandonada em um mundo sob a agonia de vigiar todos os dias a caixa postal e nunca ter recebido uma carta sequer. Muito triste esta passagem.

Eu achei que quase todos foram cruéis com Celie, principalmente sua Nettie que tinha o dever de achar alguma forma de sempre estar presente, mesmo que através de carta.

Amei o livro, tudo de bom!

Eu recomendo.

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