1808

Quando li 1808 não pensei que fosse voltar na história de forma romanceada, pensei que fosse uma leitura chata e didática. Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com D. João VI fugindo de Portugal, na calada da noite, num rompante, em função da iminente invasão francesa. Ele chegou ao Brasil com sua volumosa corte e encontrou um Rio de Janeiro despreparada para receber tão ilustres e novos moradores.

Nesta ocasião sem nenhum constrangimento, as melhores moradias foram “desapropriadas”, para que a família real e seus valorosos súditos tivessem onde morar. Para manter a colônia, no entanto, o novo governo brasileiro se viu obrigado a abrir os portos ao comércio internacional, criando, com isso, uma dependência econômica com a Inglaterra.

Esta é a nossa história, a história do Brasil.

É acho bastante preocupante. O nosso problema não é de hoje, é secular, genético e cultural. Infelizmente fomos acostumados, desde o tempo do Império, a fazer as coisas desta maneira: às pressas, as escondidas, de qualquer maneira, atropelando o que vier pela frente, o importante é o resultado, não os meios.

E esta nossa atitude, esse jeitinho brasileiro, que não está nem aí para as consequências e que não tem nenhuma preocupação com qualquer tipo de planejamento está, atualmente, muito bem evidenciada nas decisões descabidas que vêm ocorrendo dentro de vários setores, que são responsáveis pela nossa sociedade enquanto nação. Desta feita, melhor dizendo estamos ferrados, me desculpe a expressão!

As sensações que nos passam, embora alguns ferrenhos defensores procurem nos convencer do contrário, é que estamos mergulhados num ambiente caótico, desacreditado e falido, coberto de meias verdades e repleto de mentiras inteiras.

Informações desencontradas nos desnorteiam e confundem. Enquanto as notícias econômicas nos mostram um “fantástico” crescimento, que ajudam a criar um clima de vitoriosa euforia, deparamo-nos com cenas, episódios e casos já bem conhecidos por todos (chega a ser cansativo ficar repetindo sempre os mesmos fatos), que podem nos lembrar filmes cômicos, se não fossem tão trágicos.

1808, é muito interessante no papel, nos livros, mas em nada é bonito na nossa situação, esta clama por atenção, seriedade, providências de ações eficientes, e isso não só por parte daqueles que estão no poder, mas, de toda a sociedade.

Não basta falar em mudanças, isso todos falam e quase ninguém se preocupa em promovê-las. Por isto, é tão necessário a conscientização de que é preciso sair dos casulos que nos oferecem uma falsa ideia de proteção, para que possamos, unidos, modificar o final da história. Se o começo é trágico, o fim não precisa ser, podemos mudar, mas antes precisamos quer e não ficarmos apenas reclamando, reclamando.

Ótimo livro!

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